segunda-feira, 30 de junho de 2014

As Exigências Bíblicas Para o Apostolado - Atos 1: 15 – 26

INTRODUÇÃO:

Depois de relatar a comissão do Senhor, sua Ascensão e as orações perseverantes dos discípulos, Lucas chama a atenção para apenas mais uma ação antes do Pentecostes, a eleição de um outro apóstolo para substituir Judas.

1.      A Necessidade de Eleger Um Apóstolo Se Dar Por Causa da Traição e Morte de Judas (vs. 18, 19).

Os versículos 18, 19 parecem não fazer parte da fala de Pedro, pois eles interrompem a sequência de seus pensamentos.

Assim, devemos entender esses dois versículos como parênteses editoriais, em que Lucas informa aos seus leitores sobre as circunstâncias da morte de Judas. Lucas é direto ao chamar a traição de Judas de um ato de iniquidade (vs. 18).

Com referência ao relato da morte de Judas, alguns céticos argumentam que existe contradição no relato de Lucas em comparação com o de Mateus.
Mateus escreve: “retirou-se e foi se enforcar”. Lucas diz: “precipitando-se, rompeu-se pelo meio, e todas as suas entranhas se derramaram” (vs. 18).

Mas, é perfeitamente possível supor que, depois de se enforcar, seu corpo caiu, presumindo-se que a corda ou o galho se quebrou e seu corpo se dilacerou ao cair no chão.

2.      A Garantia Para Eleger Um Apóstolo é o Cumprimento das Escrituras (vs. 15 – 17)

A justificativa para substituir um apóstolo estava no Antigo Testamento. Essa era a convicção de Pedro (vs. 16).

Pedro cita dois salmos (Sl. 69: 25; Sl. 109: 8), o primeiro para explicar o que aconteceu ( a traição de Judas e a sua morte) e o segundo, para indicar o que eles deviam fazer (substituí-lo).

Em ambos os salmos, o escritor fala de homens maldosos e fraudulentos que, sem justificativa, odeiam, caluniam e atacam. Esses homens maus serão alvos do juízo do SENHOR.

Então, essas passagens são aplicadas ao traidor Judas, mostrando inclusive a necessidade de que o mesmo seja substituído.

3.      O Apóstolo Eleito Foi Matias (vs. 21 – 26).

A proposta de Pedro de que fosse escolhido outro apóstolo, lança luz ao entendimento do apostolado.

O Ministério Apostólico era ser testemunha da ressurreição de Cristo (vs. 22 b). Em atos 4: 33, os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor.

Para ser qualificado como apostolo, era necessário ter presenciado a ressurreição de Jesus Cristo da qual tinham sido chamados para testemunhar. Era indispensável ter visto o Senhor ressurreto (vs. 21, 22).

A Escolha apostólica deveria ser feita pelo Senhor. Por isso, eles oram ao Senhor (vs. 24). Depois, “lançaram sortes” (vs. 26), um método usado no A. T para descobrir a vontade de Deus, mas que não foi usado mais após a vinda do Espírito Santo. Matias foi escolhido, sendo-lhe então votado lugar com os onze apóstolos.

APLICAÇÃO:

1.      A Bíblia é a Palavra de Deus, Por Isso Ela Não Se Contradiz.

2.      Levando Em Consideração As Exigências Bíblicas Para o Apostolado, Podemos Afirmar Categoricamente que Não Existem Apóstolos Hoje.

CONCUSÃO:

Meus irmãos, de acordo com o que ouvimos hoje, devemos valorizar o ensino e estudo da Bíblia, pois, ela é a Palavra de Deus, infalível e inerrante.
Através das Escritura, os falsos mestres são desmascarados. Então, esses apóstolos modernos estão no mínimo enganados, reivindicando para si um título que não lhes cabe.

Que Deus nos ajude para que sejamos uma igreja apegada aos princípios da Palavra de Deus e que sejamos bem práticos na vida cristã.



DOIS FATORES ESSENCIAIS PARA A ORAÇÃO VERDADEIRA - Atos 1: 12 – 14


INTRODUÇÃO:
Depois da Ascensão de Jesus, os discípulos voltaram para Jerusalém, pois, o Senhor havia prometido o derramamento do Espírito Santo em Jerusalém.

Antes do Pentecostes, Lucas relata como eles  preencheram os dez dias seguintes, antes do Pentecostes.

ELUCIDAÇÃO:

Enquanto aguardavam a promessa, eles permaneciam se ajuntando e orando a Deus pelo derramamento Espírito Santo (vs. 14).
Na sala onde se alojavam, era uma combinação saudável: louvor contínuo no Templo e oração continua em casa.

1.      Unidade - A Oração Unânime Dos Discípulos.

As pessoas que se reuniam para orar era uma congregação de cerca de 120 pessoas (vs. 15). Nesse grupo, os apóstolos estavam incluídos (vs. 13).
Além dos onze apóstolos, são mencionadas as mulheres (vs. 14), referindo-se a Maria Madalena, Joana (cujo marido cuidava da manutenção do palácio de Herodes) e Susana. Esse é o trio de mulheres que Lucas menciona no seu evangelho as quais lhes prestavam assistência (a Jesus) com os seus bens.
A seguir, em destaque, Lucas apresenta Maria, mãe de Jesus, cujo papel singular no nascimento de Jesus ele descreveu nos dois primeiros capítulos do seu evangelho, juntamente com os irmãos dele (vs. 14). Que, agora estão alistados entre os crentes.

Todos esses eram “unânimes” em oração – traz a ideia de união e concordância quanto ao proposito pelo qual estavam orando.

2.      Perseverança - A Oração Perseverante Dos Discípulos.

Perseverante – significa estar ocupado ou ser persistente em toda atividade. Lucas emprega o termo mais tarde em relação aos novos convertidos que perseveravam na doutrina dos apóstolos.
Antes, o Senhor Jesus já havia ensinado seus discípulos a serem perseverantes na oração. Vamos observar o texto: Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á. Porque, aquele que pede, recebe; e, o que busca, encontra; e, ao que bate, abrir-se-lhe-á”. (Mateus 7:7-8).

CONCLUSÃO:

A base dessa união e perseverança na oração é o mandamento e a promessa de Jesus. Ele Prometeu que logo lhes enviaria o Espírito.
Aprendemos que as promessas de Deus tornam importante a oração, pois, somente as promessas de Deus que nos dão a garantia para orarmos e a confiança de que ele nos ouvirá e responderá.


A RELAÇÃO ENTRE O REINO DE DEUS E O ESPÍRITO SANTO - Atos 1: 6 – 8


ELUCIDAÇÃO:
                                       
Na primeira seção desse capítulo, Lucas escreve dois versículos introdutórios (vs. 1, 2) que são históricos. Depois ele se refere ao período de 40 dias no qual Jesus aparece aos seus discípulos e durante o qual os instrui sobre o Reino de Deus e ordena que eles esperem em Jerusalém pela dádiva do Espirito Santo (vs. 3-5).

Então, devemos entender que os dois principais assuntos desenvolvidos por Jesus entre a sua ressurreição e ascensão foram o Reino de Deus e o Espírito de Deus. No texto em apreço, vamos tratar sobre: A RELAÇÃO ENTRE O REINO DE DEUS E O ESPÍRITO SANTO

EXPOSIÇÃO:  
                                  
Durante o ministério terreno de Jesus, o Mestre já havia falado sobre o Reino de Deus. No curto período em que passa com os apóstolos depois da ressurreição (40 dias), Jesus os instrui sobre o Reino de Deus, e o mais impressionante é que os discípulos não havia compreendido corretamente o ensino de Jesus.

Chegamos a essa compreensão por causa da pergunta dos apóstolos no versículo 6: Então os que estavam reunidos lhe perguntaram: "Senhor, é neste tempo que vais restaurar o reino a Israel?”.

A pergunta dos discípulos mostra que eles estavam esperando um Reino Político, Nacional e Temporal.

Com a resposta oferecida, Jesus corrigiu essas noções falsas da natureza, extensão e chagada do Reino.

Inicialmente, eles indagaram Jesus quanto a restauração de Israel neste tempo. Em sua resposta, Jesus não responde a questão da restauração, mas do tempo, Ele lhes respondeu: "Não lhes compete saber os tempos ou as datas que o Pai estabeleceu pela sua própria autoridade” (vs. 7).

Os apóstolos revelam sua curiosidade acerca do futuro. Mas o futuro pertence a Deus, não a eles.

Deveriam ter se lembrado da observação bíblica (Dt. 29: 29) = “As coisas encobertas pertencem ao Senhor, ao nosso Deus, mas as reveladas pertencem a nós e aos nossos filhos para sempre, para que sigamos todas as palavras desta lei”.

Ainda na resposta de Jesus, o Mestre voltou ao assunto do Espirito Santo: “Mas receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra" (vs. 8).

Percebam que Jesus amplia os horizontes dos Apóstolos, Ele prometeu que o Espírito Santo lhes daria poder para serem suas testemunhas.

Começando em Jerusalém, a capital nacional, onde Jesus fora condenado e crucificado, o lugar de onde não deveriam sair até recebessem o Espírito.
Permaneceriam nas vizinhanças da Judéia. Mas, depois a missão cristã irradiaria partindo daquele centro de acordo com a profecia (Is. 2: 3), chagando na desprezada Samaria e, posteriormente, ultrapassando as fronteiras da Palestina, para os gentios, até aos confins da terra.

O livro de atos nos mostra o cumprimento desta profecia = Capítulos 1 – 7 (Jerusalém); Capítulo 8 (Judéia e Samaria); Do capítulo 9 em diante (Até os confins da terra).

APLICAÇÃO:

1.      Jesus Ensina Que Os Discípulos Devem Evitar Investigações Sobre Os Tempos Desconhecidos e As Épocas Futuras.

Precisamos confiar em Deus, Ele tem pleno controle do calendário dos acontecimentos mundiais e de nossa vida particularmente.

2.      O Poder do Espírito Santo é Fundamental Para o Estabelecimento do Reino de Deus.

O poder do Espírito é associado ao conceito de Reino. Mas, o poder no Reino de Deus é diferente do poder nos reinos humanos. O Reino de Deus é espiritual e é estabelecido na vida de seu povo através do seu Espírito.
O Reino é aumentado por testemunhas, através de uma mensagem de paz e não uma declaração de guerra. Vale salientar que os valores do Reino de Deus entram em conflito com os valores do mundo e possui implicações políticas e sociais.

3.      Somos Responsáveis Por Proclamar a Mensagem do Reino de Deus.
Nós, os seguidores de Jesus devemos anunciar o que ele realizou em sua primeira vinda e chamar o povo para arrepender-se dos seus pecados e crer no sacrifício de Cristo, preparando-se para sua segunda vinda.

CONCLUSÃO:


Que Deus nos conceda graça para vivermos como verdadeiros súditos do seu Reino e estejamos proclamando sua mensagem e vivendo seus princípios.

O Ministério Fundador dos apóstolos - Atos 1: 1- 5

ELUCIDAÇÃO:
Este livro foi escrito por Lucas, que também escreveu um dos evangelhos. Ambos os livros são dedicados a Teófilo – certamente uma pessoa que ocupava uma posição de destaque na época (talvez um alto oficial romeno), pois Lucas o chama de excelentíssimo (Lc3: 1), termo utilizado para fazer referência aos procuradores (At. 23: 26).
Existem evidências internas que nos levam a crer que este livro foi escrito antes da queda de Jerusalém (70 d. C), a) Lucas apresenta o governo romano benevolente para com o cristianismo, atitude que mudou a partir de 64 d. C.; b) o livro de Atos não menciona a morte de Paulo, que deve ter ocorrido por volta do ano 68 d. C.
Quanto ao propósito do livro, podemos afirmar que Lucas está preocupado com o significado da salvação na história, e não na história em si como meros fatos. Então, Lucas foi um teólogo da salvação. Escreve com o objetivo de apresentar Jesus como o Messias prometido, o qual é poderoso para salvar o pecador.
EXPOSIÇÃO:
Os Dois Estágios do Ministério de Jesus
Nos versículos iniciais (vs. 1, 2) o autor nos diz que os dois volumes de sua obra é sobre as origens do cristianismo. O contraste que ele apresenta entre os dois volumes não se dá entre Jesus e sua igreja, mas entre os dois estágios do ministério de Cristo.
No primeiro livro, Lucas relata todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar, até o dia em que foi elevado as alturas.
Nesse segundo livro, ele escreve sobre aquilo que Jesus continuou a fazer e ensinar após sua ascensão, especialmente por intermédio dos apóstolos.
Assim o ministério de Jesus na terra, exercido de forma pessoal e pública, foi seguido por seu ministério celestial, exercido através do Espírito Santo por intermédio dos seus apóstol
1)      Jesus Escolheu Seus Apóstolos (vs. 2)
Os apóstolos não se autonomearam, nem foram apontados por um ser humano, um comitê, um sínodo, mas foram escolhidos de forma direta e pessoal, por Jesus Cristo (Lc. 6: 13).
2)      Jesus Se Revelou Aos Seus Apóstolos (vs. 3)
As testemunhas da fundação precisavam ser testemunhas oculares (Lc. 1: 2). O sucessor de Judas precisava ser alguém que tivesse estado com os doze (At. 1: 21, 22). Assim, depois de ter padecido, o Senhor apareceu ressurreto àqueles homens (vs. 3).

3)      Jesus Enviou Seus Apóstolos.
Lucas revelou no final de seu evangelho que o Senhor Jesus os enviou (Lc. 24: 47), em Atos esse comissionamento é ratificado (At. 1: 8).
Assim, Jesus escolheu os seus apóstolos e apresentou-se a eles após a ressurreição, como preparação para que pudesse enviá-los para pregar e ensinar em seu nome.
4)      Jesus Prometeu o Espírito Santo Aos Apóstolos (vs. 4).
Agora, Jesus manda que esperem em Jerusalém até que recebam a dádiva prometida. Era a promessa de seu Pai através de profecias do Antigo Testamento (Joel 2: 28, 29Is. 32: 15; Ez. 36: 27).
 "E, depois disso, derramarei do meu Espírito sobre todos os povos. Os seus filhos e as suas filhas profetizarão, os velhos terão sonhos, os jovens terão visões.
Até sobre os servos e as servas derramarei do meu Espírito naqueles dias”.
Joel 2:28-29;
“Porei o meu Espírito em vocês e os levarei a agirem segundo os meus decretos e a obedecerem fielmente às minhas leis”. Ezequiel 36:27
O próprio Jesus havia falado sobre esta promessa (vs. 5). Agora Jesus afirma que a promessa está para se cumprir, portanto, eles devem esperar.
Somente quando Deus tiver cumprido sua promessa e eles, do alto, forem revestidos de poder, é que poderão cumprir a comissão.
APLICAÇÃO:
1.       O Ofício Apostólico Cessou, Pois Atualmente Ninguém Apresenta As Qualificações Específicas Para Tal.

2.       Num Sentido Secundário Nós Somos Enviados Por Jesus Para Pregar o Evangelho No Poder do Espírito Santo.

CONCLUSÃO:
Que Deus nos ajude e capacite para que possamos cumprir a sua vontade, vivendo uma vida de santificação e pregando o evangelho do Senhor.
Que sejamos maduros na fé, rejeitando doutrinas heréticas que afirmam a existência de apóstolos hoje.


domingo, 22 de junho de 2014

A Família de Deus - Mc 3. 31-35

Introdução:

Todos nós temos uma família. E embora, existam pessoas que perderam todos os seus parentes, embora, existam órfãos, todo mundo que veio a este mundo, veio através de um pai e de uma mãe. Ou seja, de uma família. Com Jesus não foi diferente, embora o seu nascimento tenha se dado em circunstâncias especiais, Jesus também tinha uma família. O texto que lemos essa noite nos fala justamente sobre isso.

I- A Famíla de Jesus (V. 31, 32).

a) Jesus tinha Família?

Primordialmente, os termos gregos “adelphos” (irmão) e “adelphé” (irmã) se referem a irmãos de sangue, levando-nos a crer que Maria teve outros filhos após o nascimento de Jesus. Textos como: (Mt 13. 55; Jo 7. 3; At 1. 14; 1 Co 9. 5; Gl 1. 19) nos levam a crer nisso. Contudo, o termo grego também aponta para grus de parentesco mais amplos, como parentes, primos ou primo-irmão como geralmente os católicos romanos e os ortodoxos creem. Entretanto, textos como o de gálatas que falam de Tiago como o “irmão do Senhor” levou os católicos a terem de afirmar que esses irmãos do Senhor são filhos de outro casamento de José. Isso posto, vamos ao texto de Marcos.

Nos versos 31 e 32  diz que “Chegaram então sua mãe e seus irmãos e, ficando da parte de fora, mandaram chamá-lo. E a multidão estava sentada ao redor dele, e disseram-lhe: Eis que tua mãe e teus irmãos estão lá fora e te procuram”. 

Qual seria a razão da família de Jesus ir procurá-lo?

No último sermão que preguei aqui, vimos que os parentes de Jesus observando toda a sua atividade ministerial, bem como as coisas que Jesus dizia, concluíram que que ele deveria estar fora de si e queriam prendê-lo Mc 3. 21.

Talvez, essa tenha sido a razão de a mãe e os irmãos de Jesus terem ido até a casa onde ele estava ensinando para tentar de alguma forma dissuadí-lo da sua missão. Digo isso por que em Jo 7. 5 diz que “nem mesmo os seus irmãos criam nele”. Não posso afirmar o mesmo a respeito de Maria, pois, sua fé no Messias é expressa em Lc 1. 46-55.

Provavelmente, a presença de Maria acompanhando os irmãos de Jesus seja a de não permitir que alguma coisa acontecesse entre eles.

II- A Famíla de Jesus é mais Ampla ( V. 33-35).

“Respondeu-lhes Jesus, dizendo: Quem é minha mãe e meus irmãos!   
E olhando em redor para os que estavam sentados à roda de si, disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos! Pois aquele que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, irmã e mãe”.

Em primeiro lugar, precisamos entender que quando Jesus responde ao mensageiro à notícia de que a sua família o estava procurando, ele não estava desvalorizando a sua família.

Ele amou seu pai, a sua mãe e os seus irmãos até o fim. A prova disso é que eles aparecem em At 1. 14 indo orar ao Senhor Todos estes perseveravam unanimemente em oração, com as mulheres, e Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos dele”.

Jesus conhecia muito bem o quinto mandamento que dizia “Honra teu pai e a tua mãe”. Quando estava na cruz, ele, como filho primogênito de Maria, tomou providências para que ela não ficasse desamparada Jo 19. 26, 27 Ora, Jesus, vendo ali sua mãe, e ao lado dela o discípulo a quem ele amava, disse a sua mãe: Mulher, eis aí o teu filho. Então disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E desde aquela hora o discípulo a recebeu em sua casa”.

Tudo o que Jesus realizou foi substitutivo. Ele cuidou perfeitamente da sua famíla em nosso lugar. Ele foi batizado em nosso lugar, ele morreu em nosso lugar.

Em segundo lugar, a família mais ampla de Jesus era tida como a sua verdadeira família. “Pois aquele que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, irmã e mãe”.

Muitas vezes durante o ministério de Jesus ele ensinou sobre como deveria ser o nosso relacionamento com os nossos familiares. Principalmente, se esse relacionamento chegasse ao ponto de atrapalhar o nosso relacionamento com Deus. Por exemplo:

“Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a mim não é digno de mim”. Mt 10. 37

A ideia aqui não é de competição entre o amor de Deus e o amor à família. O contexto em que Jesus diz isso é um contexto que ressalta as perseguições que os seus discípulos sofreriam por amor ao seu nome. Ao ponto de pais expulsarem os seus filhos de casa por causa da fé deles. (Mt 10. 17-37).

Conclusão:

Quero concluir com três aplicações práticas.

1- Assim como Jesus, nós temos uma família. Como estamos cuidando da nossa família? Como estamos testemunhando diante dos nossos familiares? Estamos cuidando integralmente da nossa família? (espiritualmente).

2- Nós fazemos parte da família de Deus. Jesus é o novo Adão e a igreja é a nova Eva. Através da nossa fé em Cristo, nós podemos dizer que somos filhos de Deus Jo 1. 12. Fomos adotados pelo Senhor (Gl 4. 6).

3- Nós somos irmãos e irmãs de Jesus (Hb 2. 11). Se é assim, também somos irmãos uns dos outros, e conforme vimos hoje, essa irmandade deve ser levada tão a sério quanto a irmandade de sangue. Que Cristo restaure a nossa comunhão, pois somos a família de Deus. (Ef 2. 19).








domingo, 27 de abril de 2014

Exposição do Evangelho de Marcos - Mc 3. 20-30

Introdução:

De acordo com C. S. Lewis (autor das crônicas de Nárnia), uma pessoa pode ter três possíveis reações diante da pessoa de Jesus. A primeira é que você pode reconhecê-lo como Deus, a segunda é que você pode achar que está diante de um lunático, e a terceira é que você pode considerá-lo o diabo em pessoa.

Embora, alguém relute diante dessas alternativas apresentadas por C. S. Lewis no seu livro “cristianismo puro e simples”, e afirme que existem outras alternativas, como por exemplo, considerar Jesus um mestre da moral... Lewis afirma que não.

O texto que lemos essa noite nos apresenta um quadro bastante semelhante ao apresentado por C. S. Lewis no seu livro. Aqui também nós encontramos diferentes reações diante da pessoa de Jesus.

1ª Reação: O louco

20 Então, ele foi para casa. Não obstante, a multidão afluiu de novo, de tal modo que nem podiam comer.
21 E, quando os parentes de Jesus ouviram isto, saíram para o prender; porque diziam: Está fora de si.

Embora o texto original não indique que esses parentes de Jesus relatados no V. 21 fossem seus parentes de sangue, pois o texto original pode muito bem ser traduzido como “os da parte de Jesus”, ao invés de “os parentes de Jesus”. Seja como for, o fato é que alguém próximo a Cristo viu a sua atividade, bem como as coisas que ele dizia a multidão, e concluiu: ele só pode estar fora de si! Talvez tenha sido alguém que conviveu com Jesus na sua infância, e que agora o viu sem tempo nem para comer, por conta da urgência da sua missão, ou talvez tenha sido mesmo um parente de sangue de Jesus, pois  Jo 7. 5 diz que “nem mesmo os seus irmãos criam nele”.

Aplicação:

Por vezes, os cristãos também são taxados de loucos, simplesmente por seguirem os ensinamentos e o exemplo de Jesus. Frequentemente o mundo olha pra nós e não os vê com bons olhos. Alguém afirma: só sendo louco, deixar de ter quantas mulheres aparecerem pra ter apenas uma mulher. Outros dizem: só sendo louco, trabalhar a semana inteira e, ao invés de aproveitar o domingo enchendo a cara ou simplesmente entediado no sofá, ir a um igreja no domingo pela manhã e no domingo à noite.

Obs. É bem verdade que alguns evangélicos merecem ser chamados de loucos. Principalmente aqueles que acham que ser cristão significa alienar-se do mundo, não ter contato com pessoas que não sejam da mesma igreja, sem contar com aqueles que aos berros nos ônibus e metrôs acreditam que estão salvando o mundo.

2ª Reação: O diabo

22 Os escribas, que haviam descido de Jerusalém, diziam: Ele está possesso de Belzebu. E: É pelo maioral dos demônios que expele os demônios.

Pra nós, que vivemos distantes do tempo e da cultura em que Jesus viveu, essa pode parecer um declaração um tanto chocante. Contudo, como afirmou C. S. Lewis, um homem que disse o que Jesus disse e que fez o que Jesus fez, se não fosse considerado divino poderia ser muito bem chamado de demônio. E é o que acontece nessa passagem.

A resposta de Jesus a essa acusação está nos versos 23-26:

23 Então, convocando-os Jesus, lhes disse, por meio de parábolas: Como pode Satanás expelir a Satanás?
24 Se um reino estiver dividido contra si mesmo, tal reino não pode subsistir;
25 se uma casa estiver dividida contra si mesma, tal casa não poderá subsistir.
26 Se, pois, Satanás se levantou contra si mesmo e está dividido, não pode subsistir, mas perece.


Aplicação:

Historicamente, a igreja também foi acusada de obras malignas: canibalismo, incesto, pedofilia, rebeldia, ateísmo etc.

Atualmente, ateus como Hichkens e Dawlkins não dizem simplesmente que o cristianismo é insano ou ilógico, eles afirmam que que ele é mal, imoral e injusto.

Obs. É bem verdade que a maioria dessas acusações são infundadas. Contudo, não podemos esquecer que muitas vezes algumas acusações contra a igreja são verdadeiras. Muitas pessoas se afastam da igreja por verem ali um discurso que não condiz com a prática. E, as vezes isso é verdade, falta de amor para com o próximo, orgulho e individualismo são só alguns exemplos. Que Deus nos ajude a não afastar as pessoas da igreja por nossa má conduta.

3- Ele é o próprio Deus!

No verso 27 nós não temos uma reação diante da pessoa de Jesus; antes, nós temos na descrição do próprio Jesus uma autoafirmação de quem é Ele:

27 Ninguém pode entrar na casa do valente para roubar-lhe os bens, sem primeiro amarrá-lo; e só então lhe saqueará a casa.

Quando Jesus faz essa afirmação, é como se ele estivesse dizendo: vocês estão dizendo que eu sou amigo de satanás ou servo dele, mas na verdade eu sou o maior inimigo dele. É como se ele dissesse: lembrem-se de Gn 3. 15 Daquele que “esmagará a cabeça da serpente”.

A partir desse texto devemos entender que os demônios que Jesus expulsou de várias pessoas antes da sua crucificação, era apenas uma prévia do que aconteceria na cruz. Em Cl 2. 15 Paulo nos ensina o que Cristo fez com satanás:

“E, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz”.

Aplicação:

É uma pena que muita gente tenha entendido isso muito errado. Nós não podemos amarrar o diabo, isso é uma obra que Cristo já fez no Calvário. O que João vê em Ap 20, não é uma visão do futuro quando satanás ainda será amarrado, mas uma visão do passado quando o diabo foi amarrado ou julgado na cruz. Basta ler Jo 12. 31 Chegou o momento de ser julgado este mundo, e agora o seu príncipe será expulso”.

A tarefa da igreja não é amarrar diabo, mas buscar os espólios do reino parasita de satanás que já foi saqueado por Cristo.

Os versos 28-30 não tratam de um assunto diferente do que estamos tratando nesse sermão:

 28 Em verdade vos digo que tudo será perdoado aos filhos dos homens: os pecados e as blasfêmias que proferirem.
29 Mas aquele que blasfemar contra o Espírito Santo não tem perdão para sempre, visto que é réu de pecado eterno.
30 Isto, porque diziam: Está possesso de um espírito imundo.

Aqui nós temos, nas palavras de William Hendriksen “uma solene advertência”.

Em primeiro lugar nós temos uma demonstração da graça de Deus para com aqueles que haviam acusado Jesus de louco e de demônio. Ele diz que “tudo será perdoado aos filhos dos homens: os pecados e as blasfêmias que proferirem”.

Contudo, ele diz que existe um pecado imperdoável. Muitas teorias já foram levantadas sobre o que seria o pecado contra  Espírito Santo. Alguns afirmam que esse pecado é a apostasia, outros que esse pecado é falar mal da língua falada pelos pentecostais, contudo,a maioria dessas teorias nunca levou em consideração o contexto dessa passagem.

Nós sabemos que os escribas e fariseus atribuíam a satanás o que Espírito Santo estava fazendo por meio de  Jesus. Milagres claros como curas, exorcismos, ressurreições eram atribuídos a satanás. No verso 30 lemos porque Jesus falou sobre esse pecado: 30 “Isto, porque diziam: Está possesso de um espírito imundo”.

Conclusão:

Lembrando das palavras de C. S. Lewis, não há como ter uma atitude neutra diante da pessoa de Jesus, e hoje vimos que ele não era um lunático, nem tão pouco um demônio, mas Deus verdadeiro. Qual é a sua atitude diante de Jesus?