domingo, 22 de junho de 2014

A Família de Deus - Mc 3. 31-35

Introdução:

Todos nós temos uma família. E embora, existam pessoas que perderam todos os seus parentes, embora, existam órfãos, todo mundo que veio a este mundo, veio através de um pai e de uma mãe. Ou seja, de uma família. Com Jesus não foi diferente, embora o seu nascimento tenha se dado em circunstâncias especiais, Jesus também tinha uma família. O texto que lemos essa noite nos fala justamente sobre isso.

I- A Famíla de Jesus (V. 31, 32).

a) Jesus tinha Família?

Primordialmente, os termos gregos “adelphos” (irmão) e “adelphé” (irmã) se referem a irmãos de sangue, levando-nos a crer que Maria teve outros filhos após o nascimento de Jesus. Textos como: (Mt 13. 55; Jo 7. 3; At 1. 14; 1 Co 9. 5; Gl 1. 19) nos levam a crer nisso. Contudo, o termo grego também aponta para grus de parentesco mais amplos, como parentes, primos ou primo-irmão como geralmente os católicos romanos e os ortodoxos creem. Entretanto, textos como o de gálatas que falam de Tiago como o “irmão do Senhor” levou os católicos a terem de afirmar que esses irmãos do Senhor são filhos de outro casamento de José. Isso posto, vamos ao texto de Marcos.

Nos versos 31 e 32  diz que “Chegaram então sua mãe e seus irmãos e, ficando da parte de fora, mandaram chamá-lo. E a multidão estava sentada ao redor dele, e disseram-lhe: Eis que tua mãe e teus irmãos estão lá fora e te procuram”. 

Qual seria a razão da família de Jesus ir procurá-lo?

No último sermão que preguei aqui, vimos que os parentes de Jesus observando toda a sua atividade ministerial, bem como as coisas que Jesus dizia, concluíram que que ele deveria estar fora de si e queriam prendê-lo Mc 3. 21.

Talvez, essa tenha sido a razão de a mãe e os irmãos de Jesus terem ido até a casa onde ele estava ensinando para tentar de alguma forma dissuadí-lo da sua missão. Digo isso por que em Jo 7. 5 diz que “nem mesmo os seus irmãos criam nele”. Não posso afirmar o mesmo a respeito de Maria, pois, sua fé no Messias é expressa em Lc 1. 46-55.

Provavelmente, a presença de Maria acompanhando os irmãos de Jesus seja a de não permitir que alguma coisa acontecesse entre eles.

II- A Famíla de Jesus é mais Ampla ( V. 33-35).

“Respondeu-lhes Jesus, dizendo: Quem é minha mãe e meus irmãos!   
E olhando em redor para os que estavam sentados à roda de si, disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos! Pois aquele que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, irmã e mãe”.

Em primeiro lugar, precisamos entender que quando Jesus responde ao mensageiro à notícia de que a sua família o estava procurando, ele não estava desvalorizando a sua família.

Ele amou seu pai, a sua mãe e os seus irmãos até o fim. A prova disso é que eles aparecem em At 1. 14 indo orar ao Senhor Todos estes perseveravam unanimemente em oração, com as mulheres, e Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos dele”.

Jesus conhecia muito bem o quinto mandamento que dizia “Honra teu pai e a tua mãe”. Quando estava na cruz, ele, como filho primogênito de Maria, tomou providências para que ela não ficasse desamparada Jo 19. 26, 27 Ora, Jesus, vendo ali sua mãe, e ao lado dela o discípulo a quem ele amava, disse a sua mãe: Mulher, eis aí o teu filho. Então disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E desde aquela hora o discípulo a recebeu em sua casa”.

Tudo o que Jesus realizou foi substitutivo. Ele cuidou perfeitamente da sua famíla em nosso lugar. Ele foi batizado em nosso lugar, ele morreu em nosso lugar.

Em segundo lugar, a família mais ampla de Jesus era tida como a sua verdadeira família. “Pois aquele que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, irmã e mãe”.

Muitas vezes durante o ministério de Jesus ele ensinou sobre como deveria ser o nosso relacionamento com os nossos familiares. Principalmente, se esse relacionamento chegasse ao ponto de atrapalhar o nosso relacionamento com Deus. Por exemplo:

“Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a mim não é digno de mim”. Mt 10. 37

A ideia aqui não é de competição entre o amor de Deus e o amor à família. O contexto em que Jesus diz isso é um contexto que ressalta as perseguições que os seus discípulos sofreriam por amor ao seu nome. Ao ponto de pais expulsarem os seus filhos de casa por causa da fé deles. (Mt 10. 17-37).

Conclusão:

Quero concluir com três aplicações práticas.

1- Assim como Jesus, nós temos uma família. Como estamos cuidando da nossa família? Como estamos testemunhando diante dos nossos familiares? Estamos cuidando integralmente da nossa família? (espiritualmente).

2- Nós fazemos parte da família de Deus. Jesus é o novo Adão e a igreja é a nova Eva. Através da nossa fé em Cristo, nós podemos dizer que somos filhos de Deus Jo 1. 12. Fomos adotados pelo Senhor (Gl 4. 6).

3- Nós somos irmãos e irmãs de Jesus (Hb 2. 11). Se é assim, também somos irmãos uns dos outros, e conforme vimos hoje, essa irmandade deve ser levada tão a sério quanto a irmandade de sangue. Que Cristo restaure a nossa comunhão, pois somos a família de Deus. (Ef 2. 19).








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