domingo, 27 de abril de 2014

Exposição do Evangelho de Marcos - Mc 3. 20-30

Introdução:

De acordo com C. S. Lewis (autor das crônicas de Nárnia), uma pessoa pode ter três possíveis reações diante da pessoa de Jesus. A primeira é que você pode reconhecê-lo como Deus, a segunda é que você pode achar que está diante de um lunático, e a terceira é que você pode considerá-lo o diabo em pessoa.

Embora, alguém relute diante dessas alternativas apresentadas por C. S. Lewis no seu livro “cristianismo puro e simples”, e afirme que existem outras alternativas, como por exemplo, considerar Jesus um mestre da moral... Lewis afirma que não.

O texto que lemos essa noite nos apresenta um quadro bastante semelhante ao apresentado por C. S. Lewis no seu livro. Aqui também nós encontramos diferentes reações diante da pessoa de Jesus.

1ª Reação: O louco

20 Então, ele foi para casa. Não obstante, a multidão afluiu de novo, de tal modo que nem podiam comer.
21 E, quando os parentes de Jesus ouviram isto, saíram para o prender; porque diziam: Está fora de si.

Embora o texto original não indique que esses parentes de Jesus relatados no V. 21 fossem seus parentes de sangue, pois o texto original pode muito bem ser traduzido como “os da parte de Jesus”, ao invés de “os parentes de Jesus”. Seja como for, o fato é que alguém próximo a Cristo viu a sua atividade, bem como as coisas que ele dizia a multidão, e concluiu: ele só pode estar fora de si! Talvez tenha sido alguém que conviveu com Jesus na sua infância, e que agora o viu sem tempo nem para comer, por conta da urgência da sua missão, ou talvez tenha sido mesmo um parente de sangue de Jesus, pois  Jo 7. 5 diz que “nem mesmo os seus irmãos criam nele”.

Aplicação:

Por vezes, os cristãos também são taxados de loucos, simplesmente por seguirem os ensinamentos e o exemplo de Jesus. Frequentemente o mundo olha pra nós e não os vê com bons olhos. Alguém afirma: só sendo louco, deixar de ter quantas mulheres aparecerem pra ter apenas uma mulher. Outros dizem: só sendo louco, trabalhar a semana inteira e, ao invés de aproveitar o domingo enchendo a cara ou simplesmente entediado no sofá, ir a um igreja no domingo pela manhã e no domingo à noite.

Obs. É bem verdade que alguns evangélicos merecem ser chamados de loucos. Principalmente aqueles que acham que ser cristão significa alienar-se do mundo, não ter contato com pessoas que não sejam da mesma igreja, sem contar com aqueles que aos berros nos ônibus e metrôs acreditam que estão salvando o mundo.

2ª Reação: O diabo

22 Os escribas, que haviam descido de Jerusalém, diziam: Ele está possesso de Belzebu. E: É pelo maioral dos demônios que expele os demônios.

Pra nós, que vivemos distantes do tempo e da cultura em que Jesus viveu, essa pode parecer um declaração um tanto chocante. Contudo, como afirmou C. S. Lewis, um homem que disse o que Jesus disse e que fez o que Jesus fez, se não fosse considerado divino poderia ser muito bem chamado de demônio. E é o que acontece nessa passagem.

A resposta de Jesus a essa acusação está nos versos 23-26:

23 Então, convocando-os Jesus, lhes disse, por meio de parábolas: Como pode Satanás expelir a Satanás?
24 Se um reino estiver dividido contra si mesmo, tal reino não pode subsistir;
25 se uma casa estiver dividida contra si mesma, tal casa não poderá subsistir.
26 Se, pois, Satanás se levantou contra si mesmo e está dividido, não pode subsistir, mas perece.


Aplicação:

Historicamente, a igreja também foi acusada de obras malignas: canibalismo, incesto, pedofilia, rebeldia, ateísmo etc.

Atualmente, ateus como Hichkens e Dawlkins não dizem simplesmente que o cristianismo é insano ou ilógico, eles afirmam que que ele é mal, imoral e injusto.

Obs. É bem verdade que a maioria dessas acusações são infundadas. Contudo, não podemos esquecer que muitas vezes algumas acusações contra a igreja são verdadeiras. Muitas pessoas se afastam da igreja por verem ali um discurso que não condiz com a prática. E, as vezes isso é verdade, falta de amor para com o próximo, orgulho e individualismo são só alguns exemplos. Que Deus nos ajude a não afastar as pessoas da igreja por nossa má conduta.

3- Ele é o próprio Deus!

No verso 27 nós não temos uma reação diante da pessoa de Jesus; antes, nós temos na descrição do próprio Jesus uma autoafirmação de quem é Ele:

27 Ninguém pode entrar na casa do valente para roubar-lhe os bens, sem primeiro amarrá-lo; e só então lhe saqueará a casa.

Quando Jesus faz essa afirmação, é como se ele estivesse dizendo: vocês estão dizendo que eu sou amigo de satanás ou servo dele, mas na verdade eu sou o maior inimigo dele. É como se ele dissesse: lembrem-se de Gn 3. 15 Daquele que “esmagará a cabeça da serpente”.

A partir desse texto devemos entender que os demônios que Jesus expulsou de várias pessoas antes da sua crucificação, era apenas uma prévia do que aconteceria na cruz. Em Cl 2. 15 Paulo nos ensina o que Cristo fez com satanás:

“E, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz”.

Aplicação:

É uma pena que muita gente tenha entendido isso muito errado. Nós não podemos amarrar o diabo, isso é uma obra que Cristo já fez no Calvário. O que João vê em Ap 20, não é uma visão do futuro quando satanás ainda será amarrado, mas uma visão do passado quando o diabo foi amarrado ou julgado na cruz. Basta ler Jo 12. 31 Chegou o momento de ser julgado este mundo, e agora o seu príncipe será expulso”.

A tarefa da igreja não é amarrar diabo, mas buscar os espólios do reino parasita de satanás que já foi saqueado por Cristo.

Os versos 28-30 não tratam de um assunto diferente do que estamos tratando nesse sermão:

 28 Em verdade vos digo que tudo será perdoado aos filhos dos homens: os pecados e as blasfêmias que proferirem.
29 Mas aquele que blasfemar contra o Espírito Santo não tem perdão para sempre, visto que é réu de pecado eterno.
30 Isto, porque diziam: Está possesso de um espírito imundo.

Aqui nós temos, nas palavras de William Hendriksen “uma solene advertência”.

Em primeiro lugar nós temos uma demonstração da graça de Deus para com aqueles que haviam acusado Jesus de louco e de demônio. Ele diz que “tudo será perdoado aos filhos dos homens: os pecados e as blasfêmias que proferirem”.

Contudo, ele diz que existe um pecado imperdoável. Muitas teorias já foram levantadas sobre o que seria o pecado contra  Espírito Santo. Alguns afirmam que esse pecado é a apostasia, outros que esse pecado é falar mal da língua falada pelos pentecostais, contudo,a maioria dessas teorias nunca levou em consideração o contexto dessa passagem.

Nós sabemos que os escribas e fariseus atribuíam a satanás o que Espírito Santo estava fazendo por meio de  Jesus. Milagres claros como curas, exorcismos, ressurreições eram atribuídos a satanás. No verso 30 lemos porque Jesus falou sobre esse pecado: 30 “Isto, porque diziam: Está possesso de um espírito imundo”.

Conclusão:

Lembrando das palavras de C. S. Lewis, não há como ter uma atitude neutra diante da pessoa de Jesus, e hoje vimos que ele não era um lunático, nem tão pouco um demônio, mas Deus verdadeiro. Qual é a sua atitude diante de Jesus?










Nenhum comentário:

Postar um comentário