quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

A AÇÃO SOBERANA DE DEUS NO PLANO DA SALVAÇÃO-Gn 37

INTRODUÇÃO:

É inegável a realidade das tribulações na vida dos crentes, Jesus afirmou: “No mundo tereis aflições, mas tende bom animo, eu venci o mundo”.
Todo aquele que se converte a Jesus e deseja viver de forma agradável ao Senhor, enfrentará dificuldades, obstáculos, tentações e provações.
A vida em Cristo exige de nós determinação em obedecer a Deus, sem nos esquecer de que a cada dia nós precisamos confirmar nossa eleição e vocação.

EXPOSIÇÃO:    
       
A primeira coisa que o autor nos diz sobre José é que ele tinha 17 anos, era aprendiz de pastor e delatava seus irmãos (vs. 2).
José é o filho de Raquel, mulher preferida de Jacó. Então, levado pelo favoritismo “fez uma túnica talar de mangas compridas” (vs. 3). A túnica era uma vestimenta especial, era um traje real (2 Sm. 13: 18). Com este presente, Jacó está nomeando José como governador sobre sua família.

O ÓDIO DOS IRMÃOS DE JOSÉ

Os irmãos de José não suportaram isto, e não queriam nem falar com José, nem uma saudação pacífica (vs. 4).

Porém, o sentimento que era ruim ficou ainda pior (vs. 5). José manifesta o seu orgulho quando insiste em contar um sonho específico aos seus irmãos (vs. 6, 7). Acredito que mesmo hoje esse não é o tipo de sonho que gostaríamos de contar aos nossos irmãos mais velhos.

Os irmãos entendem muito bem o sonho e questiona José (vs. 8). Mas José não para por aí. Ele tem um segundo sonho, semelhante ao primeiro e conta ao seu pai e irmãos (vs. 9) – o sol é o pai Jacó, a lua é a madrasta Lia, e as 11 estrelas são os 11 irmãos, todos eles se inclinarão diante de José.

Mas o ódio dos irmãos crescia ainda mais: “seus irmãos lhes tinham ciúmes” (vs. 11). Por três vezes o narrador menciona o ódio crescente dos irmãos para com José, a ênfase do narrador sugere que podem procurar vingança.

No versículo 12, somos informados que os irmãos foram apascentar o rebanho do pai em Siquém, devemos lembrar que, Siquém é um lugar perigoso para os filhos de Jacó, pois, foi em Siquém que eles vingaram o estupro de sua irmã Diná. Jacó está preocupado com o bem estar deles.
Sem se importar ou sem saber do ódio que os irmãos tinham em relação a José, Jacó ordena que o mesmo vá até Siquém para saber o que está acontecendo (vs. 14).

José, inicialmente não encontra seus irmãos, mas, um estranho percebe que José está procurando algo ou alguém e lhe pergunta: “que procuras?” e José responde; “Meus irmãos, onde apascentam eles o rebanho?”
O homem ouviu os planos deles e respondeu: “foram-se daqui, pois ouvi dizer: vamos a Dotã” (vs. 17). José vai a procura deles.

Com o versículo 18, a perspectiva muda-se de José para seus irmãos. Esse novo cenário nos coloca no território deles e nos permite ouvir suas conversas (vs. 19, 20). Então, eles pretendem matar José.

Nesse ponto, Ruben, interfere. Não concorda com o homicídio, mesmo porque o sangue derramado “clama da terra” a Deus (Gn 4: 10). Ruben argumenta com eles, versículo 22. Ruben pretende socorrer José mais tarde a fim de restitui-lo ao seu pai.

Para a felicidade de José, os irmãos seguem o conselho de Ruben. Versículos  23, 24 – vejam que antes de jogarem José na cisterna, eles o despem do traje real, destituem José de sua posição especial de próximo governante da família.

Mas, pela providência de Deus, a cisterna está vazia e José continua vivo, pois, ele não se afoga no poço de coletar agua. Contudo, José está preso numa cisterna que geralmente tinha entre 2 e 6 metros de profundidade.

JOSÉ É VENDIDO PARA OS ISMAELITAS

Na sequencia, os seus irmãos sentam-se para comer como se nada tivesse acontecido (vs. 25-27), é quando eles veem uma caravana ismaelita que vai para o Egito, isso despertou uma ideia em Judá, ou seja, vender José aos ismaelitas. A proposta de Judá recebeu o apoio de seus irmãos.

Conforme o versículo 28, os irmãos de José o venderam para os midianitas (outro nome para ismaelitas) por 20 ciclos de prata (era o preço médio de um escravo na Antiga Babilônia).

Então, o filho amado de Jacó é levado para o Egito como escravo. Mas, esse ato maligno de seus irmãos desencadeará o plano de Deus pelo qual José virá a ser governador do Egito, e que os seus irmãos de fato, se inclinará perante ele.

Quando Rúben procura José e não encontra, fica desesperado (vs. 30), pois sendo o irmãos mais velho, é responsável por José. Que dirá ele ao pai?
Os irmãos decidem enganar o idoso pai (vs. 31, 32), ironicamente, os filhos de Jacó procuram enganar o velho pai, exatamente como Jacó anteriormente usara as vestes de seu irmão e dois cabritos para enganar Isaque.

Percebe-se no versículo 33 que os filhos de Jacó conseguiram enganá-lo, as palavras de Jacó são breves e cheias de dor. Jacó rasgou suas vestes, vestiu-se de panos de saco e lamentou o filho por muitos dias.

Mas isso não é o fim da história. O narrador termina essa trágica narrativa com uma palavra de esperança (vs. 36), ou seja, José não morreu, ele está no Egito. Embora tenha passado a ser escravo, é escravo de um dos oficiais de Faraó.

APLICAÇÃO:
1.       Não Importa Quão Difíceis São As Circunstâncias, Deus Está no Controle.

Mesmo diante das injustiças sofridas por José, Deus está no controle e trabalhando para cumprir o seu plano de salvação na vida do seu povo.
Então, quando enfrentamos dias difíceis não devemos nos revoltar, precisamos saber que Deus está no controle e trabalhando em nós para que alcancemos a perfeita varonilidade, Ele está forjando em nós o caráter de Cristo, e vai levar a cabo seu plano salvador em nós.

2.       A Vida de José, Prefigura a Vida de Jesus Cristo.

Vejamos alguns paralelos entre José e Jesus – A) assim como os irmãos de José conspiraram contra ele para o matar. Também os irmãos de Jesus, os sumo sacerdotes e os anciãos, deliberaram prender Jesus, à traição, e mata-lo (Mt. 26: 15). B) Assim como os irmãos de José o venderam por 20 siclos de prata, também Judas vendeu Jesus por 30 moedas de prata. C) assim como os irmãos de José o entregaram aos gentios, também os irmãos de Jesus o entregaram ao governador Pilatos. D) assim como José sofreu em silêncio, Jesus também sofreu em silencio.

Mas Jesus é maior do que José. Jesus é o filho Unigênito de Deus que não somente se fez servo e sofreu humilhação e escárnio. Ele morreu e ressurgiu para salvar o povo de Deus da morte eterna causada pelo pecado.

CONCLUSÃO:

Mesmo quando parece que o mal governa o dia, Deus está no controle. Deus usa as circunstâncias para realizar o seu plano de salvação.

Então, podemos sempre confiar em Deus. Para finalizar, vamos observar a Palavra de Deus em Romanos 8: 18, 28.



DEUS CONTINUA PRESERVANDO SEU PACTO COM A FAMÍLIA DA ALIANÇA- Gn 35: 16 – 22

INTRODUÇÃO:  
                                
No sermão anterior, tratamos sobre o renovo da aliança com Deus na vida de Jacó, percebemos que Jacó volta-se para o Senhor com toda a sua família e servos.

ELUCIDAÇÃO:

O texto que lemos mostra-nos que a antiga geração está se dissipando em preparação para a próxima. O autor sacro antecipa esta mudança, inserindo uma genealogia dos filhos de Jacó segundo seus direitos de primogenitura.

Isto é apropriado porque a cena se abre com o nascimento de Benjamim, que é o último filho de Jacó. O segundo evento constitui o passo em falso do primogênito de Jacó, Rúben.

EXPOSIÇÃO:

Viagem a Efrata: Morte de Raquel e Nascimento de Benjamim (vs. 16 – 20).

O nascimento de Benjamim completa as 12 tribos (vs. 16). Diante da triste realidade da morte, Raquel recebeu o conforto de que Deus respondera sua oração em favor de mais um filho.
Ao nascer o filho, o nome veio relacionado a circunstância, Benoni – “filho de minha dor”. Mas, Jacó lhe chamou Benjamim – “filha da mão direita”, símbolo de poder e proteção.
Desta forma, morre a Matriarca Raquel, esposa amada de Jacó, e foi sepultada no caminho de Efrata que é identificada com Belém (I Sm 17: 12; Mt. 2: 18).

Em Migdal Eder: Incesto de Rubén (vs. 21, 22).

Ruben comete incesto com o objetivo de satisfazer sua lascívia, bem como, confirmar sua liderança como primogênito sobre a próxima geração. “De acordo com a cultura do antigo Oriente Próximo, ao tomar a concubina de seu pai, Rúben está tentando apoderar-se da liderança de Jacó” Bruce Waltke.
Pelo seu pecado, Ruben, primeiro filho de Lia, é privado da liderança (Gn 49: 3, 4). Judá, quarto filho de Lia, a assumirá.

Com a conclusão dos 12 filhos, são listados num catálogo sucinto. São apresentados primeiramente com base na categoria social das esposas de Jacó e então pela idade.

APLICAÇÃO:

1.      Não Obstante as Perdas e Ganhos na Família da Aliança, Deus Continua Fiel.

A associação de nascimento e morte neste texto que expomos revela de forma clara a fidelidade de Deus na continuação e sustentação de sua aliança com a semente santa. Uns morrem, outros nascem e Deus continua fiel.

2.      Não Obstante o Pecado de Rubén, Deus Continua Gracioso.

A glória de Deus consiste em sua graça. Deus traz julgamento em ralação a Rubén, ele não será o mais excelente, Judá desfrutará das bênçãos espirituais da aliança. Contudo, mais tarde Deus fará que os filhos sejam aptos para a aliança por meio da fome.

CONCLUSÃO:

Meus irmãos, Deus é quem preserva seu pacto conosco, e o faz muitas vezes de forma unilateral.
A isso nós chamamos de graça, é Deus quem nos sustenta, pois somos pecadores, porém, o Senhor nos salvou e fez uma aliança conosco através do sangue puro de Jesus Cristo. O seu pacto conosco é eterno.
Por isso, exaltamos a Deus por todas as suas bênçãos, precisamos também compreender as implicações de estar no pacto, viver para agradar a Deus.



terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Jejum: tempo de sorrir e tempo de chorar - Mc 2. 18-22

Introdução:

Os preparativos para um casamento são, com certeza, momentos muito emocionantes na vida de duas pessoas. Quando digo emocionante, não falo apenas de alegria, mas também de stress, de choro, de ansiedade, raiva, decepção etc.

O texto que lemos, nos fala sobre esse momento de preparação para o casamento. Se nos recordarmos um pouco, e voltarmos alguns versos, veremos que que no último sermão que pregamos aqui, Jesus e os seus discípulos estavam em um banquete, o banquete foi realizado na casa de um dos seus novos discípulos – Mateus ou Levi.

De certa forma, os discípulos de Jesus viviam em festa, Jesus não recusava convites para um banquete. No início do seu ministério ele foi a uma festa de casamento (Jo 2), estava sempre comendo com aqueles que eram considerados pecadores pelos fariseus. A questão é, por que Jesus agia desse modo? Qual era o motivo para a festa?

No (V. 18) vemos o questionamento dos fariseus:

Ora, os discípulos de João e os fariseus estavam jejuando. Vieram alguns e lhe perguntaram: Por que motivo jejuam os discípulos de João e os dos fariseus, mas os teus discípulos não jejuam?

A preocupação dos fariseus não era com a suposta falta de espiritualidade de Jesus e dos seus discípulos, mas sim a questão de manter os rituais, pois a essencia da religião deles era o ritualismo.

Provavelmente, segundo Mattew Henry, esse fosse o dia em que os fariseus costumavam jejuar (já que jejuavam das vezes por semana Lc 18. 12).
A resposta de Jesus aos fariseus é o que dará o tema do meu sermão esta noite:
I – O motivo da alegria dos discípulos (V. 19).
Respondeu-lhes Jesus: Podem, porventura, jejuar os convidados para o casamento, enquanto o noivo está com eles? Durante o tempo em que estiver presente o noivo, não podem jejuar.

Com essa resposta, Jesus compara a sua presença na terra com uma festa de casamento. As Escrituras por diversas vezes comparam o relacionamento de Iavé com o seu povo e de Cristo com a igreja com um casamento (Is 50. 1; 54. 1; 62. 5; Mt 25; Ef 5. 32).

O que Jesus estava dizendo é que os seus discípulos não tinham motivo para jejuar, pois a chegada do Reino, bem como a presença do Noivo eram o cumprimento das profecias do AT.

Para os discípulos de João, que ainda não estavam cientes da presença do Noivo era perfeitamente compreensível que eles jejuassem, pois eles aguardavam o Messias. Para os fariseus era uma questão de mero ritualismo, mas para os discípulos de Jesus era tempo de sorrir.

Aplicação:

Meus irmãos, a vida cristã não é só de lutas e de tristezas, há momentos de gozo. Há vitórias, há casamentos, há nascimentos, há vida. O culto dominical é onde ensaiamos para o nosso encontro com o Noivo. Na igreja nós temos a oportunidade de termos comunhão, há batismos, profissão de fé, amizades verdadeiras, jantares comunitários, alegria.

Contudo, nós não somos triunfalistas. Não acreditamos em jargões do tipo “crente só vive alegre” ou “o melhor de Deus ainda está por vir”. Sabemos que a vida cristã tem também momentos de choro.

II- Tempo de chorar (V. 20).

Dias virão, contudo, em que lhes será tirado o noivo; e, nesse tempo, jejuarão.

Há espaço para o jejum na igreja hoje?

Antes de responder a essa pergunta precisamos definir o que é jejum:

Jejuar é simplesmente abster-se de alimento, ou de alimento e água por algum tempo.

Na igreja moderna existem ideias equivocadas sobre o que seja o jejum. Existem aqueles que imaginam que o jejum é uma maneira de forçar a Deus a fazer aquilo que eu desejo.

Qual deve ser o objetivo do Jejum?

Ronald Hanko resumiu muito bem a ideia bíblica do jejum, ele disse: “Jejuamos com o objetivo de negar a carne, e nos entregar totalmente às coisas espirituais”.

John Piper definiu muito bem o jejum como sendo uma “fome por Deus”.

Com certeza, existe um lugar para o jejum na igreja de hoje. Embora a lei só tenha prescrito uma ocasião para o jejum (no dia da expiação Lv 16. 29- 34). O jejum tornou-se uma prática da espiritualidade israelita desde muito cedo na história bíblica. No NT nós temos mais de trinta referências ao jejum. Na igreja primitiva vemos que essa era uma prática comum ( At 13). 

É bíblico jejuar. Contudo, como tudo mais que fazemos, precisamos tomar cuidado para não distorcer essa prática, tornando-a uma prática orgulhosa. Os fariseus tinham caído nesse pecado:

Quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas; porque desfiguram o rosto com o fim de parecer aos homens que jejuam. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa. Tu, porém, quando jejuares, unge a cabeça e lava o rosto, com o fim de não parecer aos homens que jejuas, e sim ao teu Pai, em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará. (Mt 6. 16-18).

João Crisóstomo, patriarca de Constantinopla definiu o jejum como uma prática essencialmente humilde:
Você jejua? Dê-me prova disto por suas obras.
Se você vê um homem pobre, tenha piedade dele.
Se você vê um amigo sendo honrado, não o inveje.
Não deixe que somente a sua boca jejue, mas também o olho e o ouvido e o pé e as mãos e todos os membros do seu corpo.
Que as mãos jejuem, sendo livres de avareza.
Que os pés jejuem, cessando de correr atrás do pecado.
Que os olhos jejuem, disciplinando-os a não fitarem o que é pecaminoso.
Que os ouvidos jejuem, não ouvindo conversas más e fofocas.
Que a boca jejue de palavras vis e de criticismo injusto.
Porque, qual é o proveito se nos abstemos de aves e peixes, mas mordemos e devoramos os nossos irmãos?
Possa Aquele que veio ao mundo para salvar pecadores nos fortaleça para completarmos o jejum com humildade, tendo misericórdia de nós e nos salvando.
Nós vivemos em um mundo caído. A era da igreja, que é o tempo entre a primeira e a segunda vinda de Cristo, é também um tempo marcado também pela dor, pelo sofrimento, pela morte e pelo choro.
Quando Jesus disse que chegaria um tempo em que os seus discípulos jejuariam ele falava de um tempo em que não estaria mais fisicamente com eles. Daí a necessidade da igreja jejuar para nos preparar para o encontro com o Noivo novamente.
Nos versos 21 e 22, Jesus reforça a sua resposta em forma de parábola:
Ninguém costura remendo de pano novo em veste velha; porque o remendo novo tira parte da veste velha, e fica maior a rotura. Ninguém põe vinho novo em odres velhos; do contrário, o vinho romperá os odres; e tanto se perde o vinho como os odres. Mas põe-se vinho novo em odres novos.

Jesus está mais uma vez mostrando aqueles homens que ra uma tolice manter as estruturas e rituais do passado. As sombras tinham passado, os rituais não tinham mais significado, eles estevam diante do NOVO. A realidade tinha chegado.


Aplicação:

A igreja moderna tem uma fixação por elementos do AT. Algumas igrejas acham que se tocarem instrumentos de Israel, tais como harpas ou chofar se tornarão mais espirituais. Outras batizam os seus membros no rio Jordão, outras trazem candelabros e arca da aliança para dentro do seu culto.

Quem procede dessa maneira ainda não entendeu que a realidade já chegou, que essas coisas apontavam para Cristo. Ele é o vinho novo.

Conclusão:

Hoje vimos que a vida cristã é marcada tanto pela alegria quanto pelo choro. Aprendemos que existe uma maneira bíblica de praticarmos o jejum, e que é importante nos preparar para o nosso encontro com o Noivo.







  






domingo, 24 de novembro de 2013

Jesus chama os indesejáveis - Mc 2. 13-17

Introdução:

Nenhum de nós gosta de pagar impostos, ainda mais num país onde os impostos geralmente não são transformados em melhorias para a população. Ninguém gosta de receber cobranças como IPVA, IPTU aliás, ninguém gosta de receber cobrança alguma. Não existe nada mais constrangedor. E que eu saiba, ninguém gosta de cobradores.

A história que estudaremos nesta noite é a história de um cobrador de impostos que foi salvo por Jesus.

O contexto dessa passagem nos mostra que logo após ter curado um paralítico numa casa que estava abarrotada de pessoas, Jesus foi para junto do mar (v. 13). Mas novamente ele estava cercado por muitas pessoas.

I- SOMENTE OS CHAMADOS POR JESUS O SEGUEM (v. 14).

“Quando ia passando, viu a Levi, filho de Alfeu, sentado na coletoria e disse-lhe: Segue-me! Ele se levantou e o seguiu”.

Obeserve que no verso 13, bem como durante todo o ministério de Jesus ele sempre tem uma multidão no seu encalço, contudo, quando Jesus é crucificado e após ressuscitar, nós só encontramos 120 pessoas no início do livro de atos que verdadeiramente o seguiam. Por que isso acontece? Por causa do chamado eficaz.

A CFW no seu cap. X descreve o chamado eficaz nos seguintes termos:

“Todos aqueles que Deus predestinou para a vida, e só esses, é ele servido, no tempo por ele determinado e aceito, chamar eficazmente pela sua palavra e pelo seu Espírito, tirando-os por Jesus Cristo daquele estado de pecado e morte em que estão por natureza, e transpondo-os para a graça e salvação. Isto ele o faz, iluminando os seus entendimentos espiritualmente a fim de compreenderem as coisas de Deus para a salvação, tirando-lhes os seus corações de pedra e dando lhes corações de carne, renovando as suas vontades e determinando-as pela sua onipotência para aquilo que é bom e atraindo-os eficazmente a Jesus Cristo, mas de maneira que eles vêm mui livremente, sendo para isso dispostos pela sua graça”.

Isso é o que acontece com Levi. (só a título de informação), esse Levi é, na verdade o apóstolo e evangelista Mateus (Mt 9. 9-13). Muitos estudiosos defendem que assim como Cefas que teve o seu nome mudado para Pedro, o mesmo tenha acontecido com Levi.

Observe que Levi não ouve da parte de Jesus nenhum discurso eleborado, nem tão pouco um apelo desesperado dizendo: “venha, pois eu tenho um plano maravilhoso para a sua vida”.

Dietrich Bonhoeffeer, mártir cristão durante o regime nazista, resumiu em uma frase o chamado de Jesus. Ele disse: “Quando Cristo chama um homem, ele o chama para que venha e morra”.

Essa frase não significa que todos nós teremos uma morte de mártir, mas sim, que todos nós devemos entregar tudo diariamente a fim de seguir a Cristo. E foi, justamente isso que Levi fez.

Aplicação:

As vezes nós somos tentados a adocicar o chamado de Jesus, manipulamos alguns textos do Evangelho a fim de tornar a mensagem da cruz mais atraente aos pecadores. Mas ao agirmos desse modo nós pecamos. Pecamos por não confiarmos na eficácia do poder da pregação. Muitas pessoas dizem hoje em dia: “Jesus é educado ele bate na porta do seu coração, se você abrir ele entra”. Só que essa é uma mensagem falsa, quando uma casa está pegando fogo, e as pessoas precisam ser salvas o bombeiro bate o pé na porta e arromba a porta. Quando alguém está se afogando, o salva-vidas não pergunta se essa pessoa aceita ser salva.

II- JESUS CHAMA AQUELES QUE NÃO GOSTARÍAMOS QUE ELE CHAMASSE (v. 15).

“Achando-se Jesus à mesa na casa de Levi, estavam juntamente com ele e com seus discípulos muitos publicanos e pecadores; porque estes eram em grande número e também o seguiam”.

O grupo dos doze discípulos de Jesus não era nada homogêneo. Haviam pescadores, publicanos, fanáticos religiosos (zelotes) e posteriormente, um fariseu (Saulo).

Quando Levi foi chamado o seu posto de trabalho era na galiléia, perto do mar. Provavelmente ele cobrava impostos dos pescadores. Imagine a cara de Pedro, Tiago e João que eram pescadores. Imagine a cara de Simão o zelote, que odiava o império Romano, e Levi era funcionário desse império.

Aplicação:

As vezes Jesus chama aqueles que nos embaraçam. Muitas vezes lemos histórias como essa, que demonstram a graça soberana de Deus nos evangelhos e nos alegramos. Contudo, a nossa alegria logo passa se Jesus chamar alguém que nos ofendeu no passado, alguém que nós não gostamos, alguém que nos deu prejuízo etc.

Imagine a reação da igreja primitiva quando ele chamou Saulo... mas Deus faz isso para nos ensinar que ninguém é digno, todos são indígnos, ele faz isso para nos humilhar, ele age assim para que nós arranquemos do nosso coração toda hipocrisia e raiz de amargura.

Não eram somente os discípulos que estavam (possivelmente) incomodados com os publicanos, mas principalmente os farizeus (v. 16). “Os escribas dos fariseus, vendo-o comer em companhia dos pecadores e publicanos, perguntavam aos discípulos dele: Por que come [e bebe] ele com os publicanos e pecadores?”

III- JESUS VEIO PARA OS DOENTES E PECADORES (v. 17).

“Tendo Jesus ouvido isto, respondeu-lhes: Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes; não vim chamar justos, e sim pecadores”.

Nos dias de Jesus, assentar-se à mesa com alguém significava ter comunhão com aquela pessoa. Significava que você não tinha restrições para com aquela pessoa. Não significava como hoje você sentar-se em uma praça de alimentação com alguém que você não conhece e muitas vezes nem quem conhecer.

A resposta de Jesus aos fariseus revela-nos o cerne da sua missão. Se Jesus não veio para os pecadores a sua missão era totalmente sem propósito, pois se o homem está são, logo, ele não necessitaria de um salvador.

Jesus veio para aqueles que se reconhecem pecadores. Todo doente procura um médico, e todo o verdadeiro médico quer trazer cura para os doentes.

Conclusão:

Nós começamos essa exposição mostrando um homem que era um cobrador de impostos. Um simbolo de corrupção e do domínio de Roma. Alguém que era odiado e um embaraço para muita gente. Era um homem a quem muita gente devia.

Mas agora esse homem foi encontrado por Jesus, e se antes ele fora excomungado pelos israelitas como um traidor, agora ele faz parte do verdaderiro israel de Deus. Se antes muita gente devia dinheiro a ele, agora ele se acha na presenta daquele que é o dono de tudo, portanto ele agora é quem reconhece ser um devedor.

Nós também somos como esse homem, seja antes ou depois da conversão. Somos etenos devedores, mas ele disse: “está pago!”.

Vamos orar...










domingo, 29 de setembro de 2013

O nosso Maior Problema - Mc 2. 1-12

Introdução:

Todos nós já nos deparamos com situações nas quais nos sentimos totalmente impotentes. Seja diante de uma doença de alguém, ou mesmo diante de algum problema que alguém nos conte e que não possuímos a solução. Na história que lemos encontramos uma situação semelhante.

Contexto histórico:

Jesus estava regressando do seu ministério na Galileia (Mc 1. 38,39), e estava de volta a sua própria cidade, Cafarnaum (Mt 9.1). Cidade essa que servia de base para o seu ministério na Galileia.  A partir do texto de Mc 2. 1-12 quero falar sobre:

I-A NOSSA ÓTICA DO PROBLEMA ( V. 1-4).

(V. 1) Jesus estava em (uma) casa em Cafarnaum e logo as multidões afluíram. O texto não diz que as multidões forma em busca de ouvir a Palavra ou de adorar o Cristo). Contudo, nós podemos inferir pela própria história do paralítico que a maioria das pessoas estava ali para receber algum benefício temporal.

(V. 2)”... anunciava-lhes a palavra”. A prioridade de Cristo era a pregação,  o anúncio das boas novas, a chegada do Reino de Deus.

Aplicação: que diferença do foco das igrejas modernas! Ouvi outro dia um sujeito que pregava e dizia: “se você veio aqui em busca e uma benção espiritual, Jesus vai te dar, se você veio em busca de uma benção material ele também vai te dar”.

(V. 3,4) vemos o esforço daqueles que se sentiam impotentes diante da enfermidade do paralítico. O fato daqueles homens terem empreendido tamanho esforço (pois chegaram a cavar o telhado da casa), demonstra que na ótica deles o maior problema daquele homem era a sua paralisia.

OBS. Antes de passarmos para o próximo ponto. O foco principal desse texto não são os amigos do paralítico, nem tão pouco a fé deles. Digo isso, porque já ouvi muitas pregações com esse enfoque.

II-O NOSSO PROBLEMA NA ÓTICA DE DEUS (V. 5-9).

(V. 5) “...Filho, os teus pecados estão perdoados”.

Fico imaginando o olhar de espanto dos amigos do paralítico, bem como a decepção do próprio paralítico. Depois de todo o trabalho que tiveram para descer, depois de ouvir a fama de Jesus como aquele que curava todos os que iam até ele...

Como alguém já disse: “O maior problema de quem está doente é achar que a doença é o seu maior problema”. Jesus identificou qual era a maior necessidade daquele homem.

Aplicação: o maior problema da humanidade é o pecado. Os demais problemas são sempre consequência dessa condição de pecado em que nascemos. Vivemos num mundo caído, e na maioria das vezes buscamos soluções paliativas para um problema que somente Deus pode solucionar. A psicologia moderna aconselha o homem a se livrar da culpa, quando na verdade você deve fazer o contrário. De acordo com as escrituras o homem só é liberto da escravidão do pecado quando se considera culpado e indígno do perdão de Deus.

·         Nesse texto também aprendemos a correta relação entre pecado e enfermidade:

No mundo antigo (e, ainda hoje!) e, principalmente entre os judeus, era muito comum associar pecado e enfermidade. Quando alguém está com alguma doença incurável significa que está sendo alvo do juízo específico de Deus. Contudo,  Jesus refita essa tese em (Jo 9. 2; Lc 13. 4). Até porque, se isso fosse verdade, quando Jesus absolveu o paralítico dos seus pecados ele teria sido curado.

(V. 6,7) Temos a reação dos escribas: “Mas alguns dos escribas estavam assentados ali e arrazoavam em seu coração:  Por que fala ele deste modo? Isto é blasfêmia! Quem pode perdoar pecados, senão um, que é Deus?”.

A pergunta e a resposta deles está correta. Somente Deus pode perdoar pecados. Contudo, eles estavam cegos para o fato de que estavam diante do Deus encarnado.

(V. 8, 9) A onisciência de Jesus é demonstrada. “...Por que arrazoais sobre estas coisas em vosso coração?”. Bem como a sua onipotência, quando ele propõe desafio seguinte: “Qual é mais fácil? Dizer ao paralítico: Estão perdoados os teus pecados, ou dizer: Levanta-te, toma o teu leito e anda?”. É uma pergunta retórica!

Aplicação: Como é que Jesus comprovaria que os pecados daquele homem estavam perdoados?

III-A SOLUÇÃO INTEGRAL DE DEUS (V. 10-12).

(V. 10) “...para que saibais que o Filho do Homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados...” Os milagres eram sinais que apontavam para quem ele era.

Essa cura não era necessária para a salvação do paralítico. Até porque, é melhor continuar paralítico perdoado, do que alguém curado, mas irregenerado. Essa cura (assim como todas que Jesus efetuou) teve um propósito na história da salvação.

“Filho do Homem”. Essa expressão que aparecerá outras 13 vezes no evangelho de Marcos, aponta para o cumprimento da profecia de Daniel (Dn 7. 13,14):

Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha com as nuvens do céu um como o Filho do Homem, e dirigiu-se ao Ancião de Dias, e o fizeram chegar até ele. Foi-lhe dado domínio, e glória, e o reino, para que os povos, nações e homens de todas as línguas o servissem; o seu domínio é domínio eterno, que não passará, e o seu reino jamais será destruído.

Jesus está dizendo que é o filho do homem prometido em Daniel 7. Ele já possui todo domínio. Ele reina, e esse mundo está sendo posto sob os seus pés através do avanço do reino de Deus, a medida que anunciamos o Evangelho.

(V. 11) “Eu te mando: Levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa”. Aquele homem não possuia condições por si mesmo de se levantar. Ele só fez isso por conta da ordem de Cristo.

Aplicação: Isso nos ensina que aquele que ordena “creia em mim” é o mesmo que nos dá a fé (Ef 2. 8), aquele que diz “arrependei-vos” é o mesmo que nos dá o arrependimento (At 11.18).

(V. 12) “...Então, ele se levantou e, no mesmo instante...” Essa é uma das características básicas das curas operadas por Jesus. (diferente do que vemos hoje).

“...glória a Deus...” Como tudo que Jesus fazia, esse sinal redundou na glória de Deus.

Conclusão:

Qual é o seu maior problema?

Você se considera um pecador?

Existe solução para o seu pecado no sacrifício de Cristo.