sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

A Base Teológica do Sistema Presbiteriano

O sistema de governo presbiteriano significa que somos regidos pelos presbíteros. Não somos congregacionais (onde todos decidem pelo voto direto), nem episcopais (onde apenas um superior decide sobre os demais), mas somos uma igreja democrática que é representada pelos presbíteros escolhidos pela igreja local e, que a governa. Segue abaixo os princípios do nosso sistema de governo: [1]

1. Cristo é a cabeça da sua Igreja e a fonte de toda a sua autoridade. Esta autoridade encontra-se escrita na Escritura, de modo que, todos têm acesso ao seu conhecimento.

2. Todos os crentes devem estar unidos entre si e ligados diretamente a Cristo, assim como os diversos membros de um corpo, que se subordinam à direção da cabeça.

3. Cristo exerce a sua autoridade em sua Igreja, por meio da Palavra de Deus e do seu Espírito.

4. O próprio Cristo determinou a natureza do governo de sua Igreja.

5. Cristo dotou tanto a membros comuns como aos oficiais da sua Igreja com autoridade, sendo que os oficiais receberam adicional autoridade, como é requisito para realização dos seus respectivos deveres.

6. Cristo estabeleceu apóstolos como os seus substitutos, entretanto, eram de caráter transitório. O ofício de apóstolo cessou, mas a sua autoridade é preservada pelos seus escritos, isto é, o Novo Testamento.

7. Cristo providenciou para o específico exercício da autoridade por meio de representantes (os presbíteros), a quem separou para a preservação da doutrina, adoração e disciplina na Igreja. Os presbíteros têm a responsabilidade permanente de pastorear a Igreja de Cristo.

8. A pluralidade de presbíteros numa igreja local é a liderança permanente até a segunda vinda de Cristo.


 Ewerton B.Tokashiki


NOTA:
[1] Adaptado de Robert L. Reymond, A New Systematic Theology of the Christian Faith, (Nashville, Thomas Nelson Publishers, 2ªed.rev., 1997) pp. 902-903.


segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

O Que É Uma Igreja Presbiteriana?

O termo ‘Presbiteriana’ refere-se à forma de governo que é usada por uma igreja ou grupo de igrejas. Ela deriva seu significado da palavra grega ‘presbuteros’, que é usada por todo o Novo Testamento em conexão com o governo da igreja, e é geralmente traduzida como ‘presbítero/ancião’.

Uma igreja Presbiteriana governa sua congregação por presbíteros docentes (o pastor) e presbíteros regentes (cristãos maduros na congregação com os devidos dons). Juntos eles constituem o ‘Conselho’ e unidos com ‘Conselhos’ de outras igrejas da sua região e denominação formam um ‘Presbitério’.

O papel dos presbíteros ou Conselho em cada igreja é promover e proteger a pureza e paz dos seus membros. Seu governo é de natureza eclesiástica (pertencente à igreja) e espiritual.

Aqueles ordenados recebem a incumbência de supervisionar diligentemente o rebanho ao seu cuidado, sendo um exemplo bom e humilde, ensinando, exortando e encorajando a congregação com a sã doutrina, orando continuamente por seu povo, visitando os doentes, administrando os sacramentos, disciplinando o desobediente e impenitente, e governando o culto de adoração e as reuniões da igreja de uma maneira que reflita o amor e cuidado de Jesus Cristo, o Bom Pastor. 

As igrejas Presbiterianas encontram suas raízes na Escócia durante a Reforma de meados de 1500. John Knox, um discípulo de João Calvino, ajudou a reformar as igrejas na Escócia nessa forma de governo. Muitas outras igrejas por toda a Europa também reformaram o governo da igreja de acordo com o modelo no Novo Testamento, embora somente as igrejas escocesas e algumas igrejas inglesas usaram o nome ‘Presbiteriana’.

O governo da igreja Presbiteriana está em contraste com duas outras formas de governo eclesiástico, o hierárquico e o congregacional. A forma hierárquica é vista mais claramente na igreja Católica Romana, onde existem muitos níveis diferentes de ofício, cada nível subordinado a um mais alto, e encabeçado pelo Papa. As igrejas congregacionais, por outro lado, são separadas e autônomas de todas as outras no governo. Os Reformados criam que o único Cabeça da Igreja era o próprio Cristo, que age por meio dos ofícios que Ele claramente instituiu em Sua palavra, e não por meio de um único líder sobre a Terra. Eles também criam na manutenção de um senso de unidade e propósito com outras igrejas, especialmente em questões de recurso e política denominacional.  Veja Atos 20.17-36; 1 Timóteo 3.1-7, 5.17; Tito 1.5-9: 1 Pedro 5.1-7

Dr. Chuck Baynard 





sábado, 24 de dezembro de 2011

Nascimento Virginal

Quando falamos da humanidade de Cristo, convém começar pela consideração sobre o nascimento virginal de Cristo. A Escritura assevera claramente que Jesus foi concebido no ventre de sua mãe, Maria, por uma obra miraculosa do Espírito Santo, sem pai humano.

foi assim o nascimento de Jesus Cristo: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José, mas, antes que se unissem, achou-se grávida pelo Espírito Santo” (Mt 1.18). Logo em seguida o anjo do Senhor disse a José, que era comprometido com Maria: “José, filho de Davi, não tema receber Maria como sua esposa, pois o que nela foi gerado procede do Espírito Santo” (Mt 1.20). Então, lemos: “Ao acordar, José fez o que o anjo do Senhor lhe tinha ordenado e recebeu Maria como sua esposa. Mas não teve relações com ela enquanto ela não deu à luz um filho. E ele lhe pôs o nome de Jesus” (Mt 1.24,25).

O mesmo fato é afirmado no evangelho de Lucas, onde lemos a respeito da aparição do anjo Gabriel a Maria. Após o anjo ter-lhe dito que ela teria um filho, Maria disse: “Como acontecerá isso, se sou virgem?” O anjo respondeu: “O Espírito Santo virá sobre você, e o poder do Altíssimo a cobrirá com a sua sombra. Assim, aquele que há de nascer será chamado Santo, Filho de Deus” (Lc 1. 34,35; cf. 3.23).

Só essa afirmação da Escritura sobre o nascimento virginal de Cristo já nos dá a autorização suficiente para abraçar essa doutrina. Contudo, há também algumas implicações doutrinárias cruciais do nascimento virginal que ilustram sua importância. Podemos vê-las ao menos em três áreas:

a. Ela mostra que em última instância a salvação vem do Senhor, O nascimento virginal de Cristo é o lembrete inconfundível do fato de que a salvação não pode nunca vir por intermédio do esforço humano, mas deve ser obra sobrenatural de Deus. Esse fato estava evidente já no começo da vida de Jesus: ‘Mas, quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido debaixo da Lei [...] para que recebêssemos a adoção de filhos” (Gl 4.4,5).

b. O nascimento virginal tornou possível a união da plena divindade com a plena humanidade em uma só pessoa. Esse foi o meio que Deus usou para enviar seu Filho (Jo 3.16; Gl 4.4) ao mundo como homem. Se pensarmos por um momento em outros modos possíveis pelos quais Cristo poderia ter vindo ao mundo, nenhum deles seria claramente a união entre divindade e humanidade em uma pessoa. Provavelmente teria sido possível Deus criar Jesus como ser humano completo no céu e enviá-lo do céu para a terra sem o concurso de qualquer progenitor humano. Mas assim seria muito difícil vermos como Jesus poderia ser plenamente humano como nós somos. Por outro lado, provavelmente também teria sido possível Deus enviar Jesus ao mundo com dois pais humanos, tanto o pai como a mãe, e fazer unir miraculosamente sua plena natureza divina à natureza humana em algum ponto, bem no começo de sua vida. Mas assim seria difícil entendermos como Jesus poderia ser plenamente Deus, já que sua origem seria igual a nossa em cada detalhe. Quando pensamos nessas duas outras possibilidades, isso nos ajuda a entender como Deus, em sua sabedoria, ordenou a combinação da influência humana e divina no nascimento de Cristo, de forma que sua plena humanidade seria evidente a partir de seu nascimento humano comum procedente de uma mãe humana, e a sua plena divindade seria evidente a partir do fato de sua concepção no ventre de Maria pela obra poderosa do Espírito Santo.

c. O nascimento virginal também torna possível a verdadeira humanidade de Cristo sem o pecado herdado. Como já observamos no capítulo 14, todos os seres humanos herdaram do primeiro pai, Adão, a culpa legal e a corrupção da natureza moral. Mas o fato de que Jesus não teve um pai humano significa que a linha de descendência de Adão é parcialmente interrompida. Jesus não descendeu de Adão exatamente da mesma forma que quaisquer outros seres humanos descenderam de Adão. Isso nos ajuda a entender por que a culpa legal e a corrupção moral que pertencem a todos os outros seres humanos não pertencem a Cristo.

Mas por que Jesus não herdou a natureza pecaminosa de Maria?

A Igreja Católica Romana responde a essa pergunta dizendo que a própria Maria foi livre do pecado, mas a Escritura em nenhum lugar ensina tal doutrina, que aliás não resolveria o problema de forma alguma (pois por que, então, Maria não teria herdado o pecado de sua mãe?). Uma solução melhor é dizer que a obra do Espírito Santo em Maria deve ter evitado não somente a transmissão do pecado de José (por Jesus não ter tido um pai humano), mas também, de modo miraculoso, a transmissão do pecado de Maria: “O Espírito Santo virá sobre você [...] Assim, aquele que há de nascer será chamado Santo, Filho de Deus” (Lc 1.35).

‘Essa tradução do texto grego ("Assim, aquele que há de nascer será chamado Santo, Filho de Deus”) é melhor do que a feita pela ARC e pela RA (“por isso, também o ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus”). Ela é melhor porque outros exemplos da literatura antiga mostram que a expressão grega to gennōmenon deve ser entendida como “a criança por nascer


 Wayne Grudem


Fonte: Teologia Sistemática, Ed. Vida Nova

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

O Natal É Uma Celebração Cristã? Há Motivos Para Não Festejar a Data?


"O Natal é uma festa cristã e não pagã. Há uma onda entre alguns cristãos, na atualidade, taxando aqueles que comemoram o Natal de serem infiéis e heterodoxos, dizendo que essa comemoração não é legítima nem cristã. Precisamos, a bem da verdade, pontuar algumas coisas:
1. A distorção do Natal. 
Ao longo dos anos o Natal tem sido desfigurado com algumas inovações estranhas às Escrituras. Vejamos: Primeiro, o Papai-Noel. O bojudo velhinho Papai-Noel, garoto propaganda do comércio guloso, tem sido o grande personagem do Natal secularizado, trazendo a ideia de que Natal é comércio e consumismo. Natal, porém, não é presente do homem para o homem, é presente de Deus para o homem. Natal não é a festa do consumismo; é a festa da graça. Natal não é festa terrena; é festa celestial. Natal é a festa da salvação. Segundo, os símbolos do Natal secularizado. Há muitos símbolos que foram sendo agregados ao Natal, que nada tem a ver com ele, como o presépio, a árvore natalina, as luzes, os trenós, a troca de presentes. Essa embalagem, embora, tão atraente, esconde em vez de revelar o verdadeiro Natal. Encantar-se com a embalagem e dispensar o conteúdo que ela pretende apresentar é um lamentável equívoco. Terceiro, os banquetes gastronômicos e a troca de presentes não expressam o sentido do Natal. Embora, nada haja de errado celebrarmos com a família e amigos, degustando as iguarias deliciosas provindas do próprio Deus e manifestarmos alegria e expressarmos amor na doação ou mesmo troca de presentes, esse não é o cerne do Natal. Longe de lançar luz sobre o seu sentido, cobre-o com um véu.
2. A proibição do Natal. 
Tão grave quando a distorção do Natal é a proibição da celebração do Natal. Na igreja primitiva a festa do ágape, realizada como prelúdio da santa ceia foi distorcida. A igreja não deixou de celebrar a ceia por causa dessa distorção. Ao contrário, aboliu a distorção e continuou com a ceia. Não podemos jogar a criança fora com a água da bacia. Não podemos considerar o Natal, o nascimento do Salvador, celebrado com entusiasmo tanto pelos anjos como pelos homens, uma festa pagã. Pagão são os acréscimos feitos pelos homens, não o Natal de Jesus. Não celebramos os acréscimos, celebramos Jesus! Não celebramos o Papai-Noel, celebramos o Filho de Deus. Não celebramos a árvore enfeitada, celebramos o Verbo que se fez carne. Não celebramos os banquetes gastronômicos, celebramos o banquete da graça. Não celebramos a troca de presentes, celebramos Jesus, a dádiva suprema de Deus.
3. A celebração do Natal. 
O Natal de Jesus Cristo foi celebrado com grande entusiasmo em Belém. O anjo de Deus apareceu aos pastores e disse-lhes: “Não temais, eis que vos trago boa nova de grande alegria, que será para todo o povo: é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lc 2.11). Natal é a boa nova do nascimento de Jesus. É o cumprimento de um plano traçado na eternidade. É a consumação da mensagem dos profetas. É a realização da expectativa do povo de Deus. Natal é a encarnação do Verbo de Deus. É Deus vestindo pele humana. Natal é Deus se fazendo homem e o eterno entrando no tempo. Natal é Jesus sendo apresentado como o Salvador do mundo, o Messias prometido, o Senhor soberano do universo. Quando essa mensagem foi proclamada, os céus se cobriram de anjos, que cantaram: “Glórias a Deus nas maiores alturas e paz na terra entre os homens, a quem ele quer bem” (Lc 2.14). O verdadeiro Natal traz glória a Deus no céu e paz na terra entre os homens. Natal é boa nova de grande alegria para todo o povo. O verdadeiro Natal foi celebrado com efusiva alegria no céu e na terra. Portanto, prossigamos em celebrar o nascimento do nosso glorioso Salvador!"

Rev. Hernandes Dias Lopes

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

CIRCUNCISÃO E BATISMO



INTRODUÇÃO:
            Nas Escrituras, as alianças são acordos solenes, negociados ou impostos unilateralmente, que ligam as partes umas as outras em relações permanentes, definidas, com promessas específicas com reivindicações e obrigações de ambos os lados.
            A estrutura da aliança abrange toda a graça soberana de Deus. O Batismo e a Ceia do Senhor – que correspondem a Circuncisão e a Páscoa da Antiga Aliança e os substituem, são ordenanças da aliança (Gn. 17: 9-14; Cl. 2: 11-13).

Circuncisão e Batismo São Ritos de Iniciação a Igreja Visível de Deus.
É preciso entender que no Antigo Testamento, Israel era a Igreja de Deus. Está claro nas Escrituras: “É este Moisés quem esteve na congregação no deserto, com o anjo que lhe falava no monte Sinai e com os nossos pais; o qual recebeu palavras vivas para no-las transmitir” At. 7: 38.
Os hebreus dentre todos os povos da terra foram chamados para ser povo peculiar de Deus. Constituem seu Reino. Ninguém podia torna-se membro da comunidade de Israel antes de professar a verdadeira religião, antes de prometer obediência a Lei de Deus, como revelada em sua Palavra e submeter-se ao Rito da Circuncisão como o selo do pacto.
No Novo Testamento a Igreja é o Israel de Deus. Ela não constitui uma nova, mas uma e a mesma Igreja. É a mesma Oliveira – “Se, porém, alguns dos ramos foram quebrados, e tu, sendo oliveira brava, foste enxertado em meio deles e te tornaste participante da raiz e da seiva da oliveira” (Rm. 11: 17).
Então, enquanto o rito de iniciação do A.T é a circuncisão, o rito de iniciação no N.T é o batismo. É através do batismo passamos a fazer parte da Igreja visível de Deus.

Circuncisão e Batismo São Sinais do Pacto da Graça.
Deus entrou em pacto com Abraão. Naquele pacto prometeu a Abraão que, embora com quase cem anos de idade, este teria um filho. Prometeu que seus descendentes através de Isaque seriam tão numerosos como as estrelas do céu;
E acima de tudo prometeu ao patriarca que em sua semente todas as nações da terra seriam abençoadas.
A semente não significava seus descendentes coletivamente, mas uma pessoa, a saber, Cristo: “Ora, as promessas foram feitas a Abraão e ao seu descendente. Não diz: E aos descendentes, como se falando de muitos, porém como de um só: E ao teu descendente, que é Cristo” (Gl. 3: 16). A benção prometida, era a benção da redenção através de Jesus Cristo.
As promessas e bênçãos referidas, são administradas através do pacto da graça que Deus estabeleceu com Abraão através de Jesus Cristo, e o sinal desta aliança no A.T era a Circuncisão, já no N.T é o Batismo.

Circuncisão e Batismo Trazem Como Significado Purificação do Pecado.
A circuncisão não era mera instituição civil ou nacional, tinha uma importância espiritual. Significava purificação do pecado, precisamente como faz o batismo hoje.
O A.T fala sobre a circuncisão do coração: “Circuncidai, pois, o vosso coração e não mais endureçais a vossa cerviz” (Dt. 10: 16). Portanto, lábios incircuncisos são lábios impuros; e um coração incircunciso é um coração maculado.
O Apóstolo Paulo diz que a verdadeira circuncisão não é aquela que é externa, na carne, mas a que é interna, do coração, feita pelo Espírito. Neste sentido nós é que somos da verdadeira circuncisão: “Porque nós é que somos a circuncisão, nós que adoramos a Deus no Espírito, e nos gloriamos em Cristo Jesus, e não confiamos na carne” (Fl. 3: 3).
De igual forma, o batismo significa purificação do pecado. Nas palavras de Agostinho: “é o sinal visível de uma graça invisível”. Seu principal desígnio é significar e selar a promessa de livramento do pecado através da redenção a ser efetuada pela semente de Abraão, que é Jesus Cristo.

Circuncisão e Batismo Prometem Salvação Sob Condição de Fé.
A criança é batizada por causa da fé dos pais. A promessa de salvação é também para os filhos: “Pois para vós outros é a promessa, para vossos filhos e para todos os que ainda estão longe, isto é, para quantos o Senhor, nosso Deus, chamar” (At. 2: 39).
Aos olhos de Deus, pais e filhos são unos. Os primeiros são representantes autorizados dos últimos; agem por eles; contraem obrigações em nome deles.
Em todos os casos onde os pais entram em aliança com Deus, levam consigo seus filhos. O pacto feito com Adão incluía toda a sua posteridade, a promessa feita a Abraão era para ele e para sua semente depois dele.
Portanto, os pais podem agir pelas crianças, e não só conduzi-las sob obrigação, mas assegurar-lhes os benefícios do pacto nos quais assim entram vicariamente.
Então, quando um crente adota o pacto da graça, traz seus filhos para dentro desse pacto, no sentido em que Deus promete dar-lhes, em sua própria e oportuna ocasião, todos os benefícios da redenção, conquanto que não renunciem a seus compromissos batismais.

CONCLUSÃO:
            As crianças que são filhos de pais crentes, também desfrutam das promessas que Deus fez a Abraão. Devemos reconhecer esta verdade trazendo nossos filhos para o batismo. Ainda que sejam eles crianças.
            Com o compromisso assumido e cumprido por nós pais, aqueles que afirmamos pertencer a Deus por intermédio do batismo, serão de Deus, desde a mais tenra idade até a eternidade. Amém!

Rev. José Leniberto

Batismo e Circuncisão

Um dos argumentos para o batismo infantil ou de famílias é a correspondência entre circuncisão e batismo. Isso não é fácil de ver, visto que os sinais externos parecem ser inteiramente diferentes um do outro.

Deve ser apontado, contudo, que o que referimos como circuncisão e batismo são apenas os sinais; e até onde diz respeito o significado desses sinais, eles são exatamente o mesmo. A realidade da circuncisão é exatamente a mesma  realidade do batismo.

A circuncisão real e o batismo real são a própria salvação, isto é, a remoção do pecado pelo sacrifício de Cristo na cruz. No caso da circuncisão, isso é claro a partir de Deuteronômio 30:6 e Colossenses 2:11, e no caso do  batismo a partir de Romanos 6:1-6 e 1 Pedro 3:21.

Os sinais são exatamente os mesmos até onde diz respeito a realidade espiritual, e embora os sinais em si possam parecer muito diferentes, eles simbolizam a  mesma verdade espiritual.

Dizer que os dois são completamente diferentes é cair no erro do dispensacionalismo e dizer que existem dois caminhos diferentes de salvação, um no Antigo e outro no Novo Testamento.

A maioria dos Batistas tentam evitar isso insistindo, a despeito de Deuteronômio 30:6 e Colossenses 2:11, que a circuncisão no Antigo Testamento  não era um sinal de salvação, mas apenas certo tipo de marca para identificar os membros da nação de Israel.

Isso Paulo rejeita em Romanos 2:28, onde ele insiste que a circuncisão exterior não é a coisa real de forma alguma, e que ser um judeu exteriormente não é nada: a única circuncisão que importa é aquela do  coração, e o único judeu é aquele que é  interiormente. Todos aqueles que desejam manter que existe algo especial sobre ser um descendente natural de Abraão deveriam ler esse versículo.

Por que, então, existe uma diferença entre os sinais exteriores da circuncisão e do batismo? Isso pode ser visto à luz da principal diferença entre o Antigo e Novo Testamento. No Antigo Testamento todas aquelas coisas que apontavam para Cristo envolviam o derramamento de sangue (Hb. 9:22), mas uma vez que o sangue de Cristo foi derramado, não poderia mais haver nenhum derramamento de sangue (Hb. 10:12), nem mesmo na circuncisão.

Essa é a única diferença real entre os sinais da circuncisão e do batismo. Em significado e realidade eles são exatamente a mesma coisa. A própria Escritura os identifica em Colossenses 2:11, 12. Talvez porque essa é uma longa sentença em dois versículos, somos inclinados a perder o ponto que Paulo está fazendo. Ele diz ali que ser circuncidado é ser batizado. Esse é um dos pontos principais de Colossenses 2. Falando aos crentes gentios, Paulo lhes diz que eles têm todas as coisas em Cristo (vv. 10, 11),  incluindo a  circuncisão! Eles não têm carência de nada em Cristo, em quem habita a  plenitude da divindade corporalmente (v. 9).

O fato que a circuncisão e o batismo não somente têm o mesmo significado, mas são também a mesma coisa até onde diz respeito as suas realidades espirituais, é a razão pela qual os sinais exteriores devem ser administrados (sob o único e eterno pacto de Deus) ao povo de Deus, incluindo os infantes, tanto no Antigo como no Novo Testamento.


Rev. Ronald Hanko


Fonte:  Monergismo