domingo, 22 de julho de 2012

Colhe-se o que se Planta - Gálatas 6: 6 – 10


INTRODUÇÃO:

O apóstolo Paulo está chegando ao termino de sua carta. Seus temas principais já foram apresentados, o que resta agora são algumas advertências finais.
Com este propósito, observamos no texto em apreço o grande princípio da semeadura e da colheita apresentado no versículo 7: “Não se deixem enganar: de Deus não se zomba. Pois o que o homem semear, isso também colherá”.

Este é um princípio de ordem e coerência que se acha inscrito nas Escrituras Sagradas e que serve para todas as áreas da vida.
A colheita depende do que o agricultor semeou, se um homem é fiel e zeloso em sua semeadura, então pode aguardar uma boa colheita. Por outro lado, “quem cultiva o mal e semeia maldade, isso também colherá” (Jó 4:8).
Este princípio é uma lei divina imutável, com o objetivo de enfatizá-lo, Paulo o inicia com uma ordem: “Não vos enganeis” e uma declaração: “não se zomba de Deus”.

Então, o texto lido gira em torno do princípio revelado no versículo 7, e existem três esferas da experiência cristã nas quais Paulo vê o princípio operando.
1.       No Ministério Pastoral (vs. 6).

“Mas aquele que está sendo instruído na Palavra, faça participante de todas as coisas boas aquele que o instrui” = Alguém que está aprendendo o evangelho. Seja a instrução seja particular ou pública, o princípio é o mesmo: aqueles que estão sendo instruídos na Palavra devem ajudar a sustentar o seu mestre.
O ministro do evangelho semeia a boa semente da Palavra de Deus e colhe o sustento. Eu sei que para muitas pessoas isso é embaraçoso. Mas o princípio bíblico é lembrado várias vezes, o Senhor Jesus disse que digno é o trabalhador do seu salário referindo-se aos discípulos que saíram em missão (Lc. 10: 7).

Em I Co. 9: 14, Paulo declara: “Da mesma forma o Senhor ordenou àqueles que pregam o evangelho, que vivam do evangelho”.
Ainda quando escreve a Timóteo, Paulo diz: “Os presbíteros que lideram bem a igreja são dignos de dupla honra, especialmente aqueles cujo trabalho é a pregação e o ensino” (1 Timóteo 5:17).

Então, aquele pastor que se dedica em tempo integral no estudo e pregação da Palavra com todas as suas forças e meios, procurando entende-la e aplica-la, deve receber da igreja o seu sustento, este é um princípio bíblico.
Por isso, Martinho Lutero disse: “é impossível que um homem trabalhe dia e noite para ganhar os seu sustento e, ao mesmo tempo, se dedique ao estudo das Sagradas Letras, como exige o seu ofício”.

Precisamos reconhecer que existem os pastores mercenários, outros que comercializam a fé e adulteram a Palavra de Deus, pilantras escondidos atrás de um paletó, gananciosos que querem ter suas próprias igrejas e que são desprovidos de conhecimento bíblico e de caráter. O problema é que todos os pastores são colocados no mesmo patamar.

Mas, existem os pastores sérios, que buscam viver uma vida que honra a Deus, que se dedicam na Palavra, que buscam o conhecimento bíblico e teológico para transmitir a boa semente nas mentes e corações do rebanho de Jesus Cristo, então, esses são dignos e podem esperar a sua subsistência material.

2.       Na Santidade Cristã (vs. 8).

“Quem semeia para a sua carne, da carne colherá destruição; mas quem semeia para o Espírito, do Espírito colherá a vida eterna”.
Esta é outra esfera na qual opera o principio da semeadura e colheita. Paulo retorna ao tema da carne e do Espírito, mas aqui em Gálatas 6, a vida cristã é comparada a um campo de batalha, e a carne e o Espírito são dois campos em que nós semeamos. A nossa colheita dependerá de onde e o quê nós semeamos.

O versículo 8, apresenta dois tipos de semeaduras possíveis, isto é, semear para carne e semear para o Espírito.
O que é semear para a carne? É trabalhar para ela, em vez de crucifica-la. As sementes são os pensamentos e atos. Toda vez que permitimos que nossa mente abrigue um ressentimento, entretenha uma fantasia impura, estamos semeando para a carne.

Toda vez que assumimos um risco que cria dificuldades para o nosso autocontrole, estamos semeando para a carne. Há cristãos que semeiam para carne todos os dias e ficam se perguntando porque não colhem santidade. A santidade é uma colheita.

O que é semear para o Espírito? É o mesmo que andar no Espírito, é buscar as coisas de Deus e pensar nelas, coisas lá do alto, não as terrenas. Através dos livros que lemos, as pessoas que andamos e o lazer que buscamos, podemos semear para o Espírito.

Devemos ainda, ler a Bíblia e orar sempre, realizar o culto doméstico, participar dos cultos junto com os outros servos de Deus. Tudo isso, é semear para o Espirito.

Os resultados são apenas lógicos. Se semearmos para a carne, da carne colheremos corrupção, vai haver um processo de declínio moral. Se por outro lado, semearmos para o Espírito, vamos colher vida eterna, a comunhão com Deus vai se desenvolver agora até que alcance sua plenitude na eternidade.

3.       Na vida Prática do Crente (vs. 9, 10).

“E não nos cansemos de fazer o bem, pois no tempo próprio colheremos, se não desanimarmos”.
O assunto muda da santidade pessoal para a prática do bem, a ajuda aos outros, as atividades filantrópicas na igreja ou comunidade.

O serviço cristão ativo é um trabalho exigente e cansativo, por isso, “não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifarmos, se não desanimarmos”. Se o agricultor se cansar de semear, deixando parte do seu campo sem sementeira, vai colher apenas uma parte. O mesmo acontece com as boas obras.

O que será a colheita? A perseverante prática do bem na igreja e sociedade trará como colheita consolo para os oprimidos, alívio para as pessoas necessitadas, pode ajudar a deter a deterioração moral da sociedade e até mesmo levar um pecador ao arrependimento e salvação. Quem o pratica ficará satisfeito e feliz em ver os resultados.
“Portanto, enquanto temos oportunidade, façamos o bem a todos, especialmente aos da família da fé”.

Sabemos que nossa vida neste mundo está cheia de tais oportunidades para fazer o bem. Devemos assim proceder, mas principalmente para com os nossos irmãos na fé, a família de Deus. Mas, não devemos parar por aí, entendemos pelo ensino de Jesus que até mesmo os nossos inimigos devem ser alvos do nosso bem.

CONCLUSÃO:

Meus irmãos, o principio da semeadura continua sendo válido. O que o homem semear isto ele colherá. O que estamos semeando?
Sei que na condição de Ministro do evangelho preciso semear a Palavra de Deus com fidelidade e dedicação.

Na condição de Cristãos verdadeiros nós temos por dever semear para o Espírito, viver para glorificar a Deus, nos despojando do velho homem, se revestindo do novo a cada dia. 

O fazer o bem é obrigação nossa, ajudar os necessitados, exercer atividades filantrópicas em relação a todos, mas principalmente os que compartilham conosco a fé em Jesus Cristo.

Em nenhuma dessas esferas podemos zombar de Deus. Em cada uma delas opera o mesmo principio. E considerando que não podemos enganar a Deus, somos tolos se tentarmos nos enganar a nós mesmos.
Devemos nos submeter ao senhorio de Cristo e esperar colher o que semeamos, portanto, vamos semear a boa semente para termos uma boa colheita.






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