segunda-feira, 17 de março de 2014

Jesus Escolhe os seus Discípulos - Mc 3. 13-19

Introdução:

Todos nós já passamos por algum processo seletivo na nossa vida. Seja no trabalho, num concurso público, seja na escola, na faculdade, no vestibular etc.

O texto que lemos esta noite nos fala sobre um processo seletivo. Porém, antes de nos debruçamos sobre esse texto precisamos dar uma olhada no contexto em que Jesus escolhe os seus Doze apóstolos.

Contexto:

Nos últimos sermões que preguei aqui, vimos como a oposição à Jesus por parte dos fariseus estava aumentando, ao ponto de eles se juntarem aos herodianos que eram seus inimigos políticos a fim de planejarem a morte do Senhor.

Contudo, se a oposição à Cristo estava crescendo, os V. 7 e 8 do Cap. 3 nos mostram que a popularidade de Jesus também estava crescendo:

7 Retirou-se Jesus com os seus discípulos para os lados do mar. Seguia-o da Galiléia uma grande multidão. Também da Judéia,

8 de Jerusalém, da Iduméia, dalém do Jordão e dos arredores de Tiro e de Sidom uma grande multidão, sabendo quantas coisas Jesus fazia, veio ter com ele.

Observe que vinha gente do outro lado do país para ver Jesus. Jesus estava na Galiléia (Norte) o texto nos diz que gente da Judeia (Sul), da capital, e até dos países que faziam fronteira com Israel.

Mas, o que motivava essas pessoas a irem ao encontro do Senhor? O final do V. 8 nos diz “sabendo quantas coisas Jesus fazia”.

O V.10 desse cap. Diz que ele “curava a muitos”, mas não todos, pois como já pudemos constatar no início do seu ministério (Mc 1. 38) Jesus nos diz que a sua prioridade é anunciar a Palavra.

Isso nos faz refletir sobre as nossas motivações de ir até Cristo, e também sobre a nossa motivação para estar no culto. Isso distingue os verdadeiros discípuos do Senhor, daqueles que não são seus discípulos.

Por isso o meu tema essa noite será:


Tema: Jesus Escolhe os seus Discípulos


I-Em Primeiro lugar, nós podemos constatar isso no V. 13:

13 Depois, subiu ao monte e chamou os que ele mesmo quis, e vieram para junto dele.

Desde o início da história da humanidade ele procede desse modo: Noé, Abraão, Jacó, Davi, Isaías, Jeremias, Os Apóstolos, Paulo. E é também assim conosco:

Jo 15. 16 “Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda”.

2Tm 1. 9 diz que essa escolha e salvação se deu “antes dos tempos eternos”.

Paulo diz em Rm 8. 30 “predestinou aos que Ele chamou”. Então, sem dúvida alguma é Ele quem chama os seus discípulos. Esse é um chamado especial – diferente do chamado geral que fazemos quando pregamos e convidamos todos ao arrependimento. Convidamos a todos, mas Deus sabe quem são os dEle.

II-Em segundo lugar, Deus sempre nos chama para fazer algo. Observe o V. 14

14 Então, designou doze para estarem com ele e para os enviar a pregar

Algumas pessoas que não gostam do termo “Teologia” costumam citar o exemplo dos apóstolos para se referir a alguém que não precisou cursar teologia para pregar ou ser ordenado. Contudo, os apóstolos tiveram uma formação especial durante os mais de 3 anos em que que aprenderam diretamente com o Deus encarnado. Além do mais, todos eles sabiam grego e hebraico, algo que a maioria dos pregadores modernos que não passaram pelo seminário não tem nem sequer noção.

Eles foram chamados para pregar. Toda a igreja é chamada para pregar, embora isso não signifique que todos ocuparão o púlpito, mas Deus não nos chamou para nos sentarmos sobre a nossa segurança eterna, mas para sermos testemunhas. Se você é um cristão, você não vai guardar isso somente para você, você será uma pessoa engajada na igreja local, você falará de Cristo, você convidará pessoas para a igreja.

III-Esses apóstolos foram chamados de forma única e especial. Uma das provas disso é o V. 15

15 e a exercer a autoridade de expelir demônios.

Isso nos faz perguntar: existem apóstolos hoje?

O termo “apóstolo” vem do verbo grego apostellõ que significa “enviar”. A Bíblia emprega o termo apóstolo com dois sentidos diferentes. Primeiro, esse termo se aplica aos Doze, levando em consideração a substituição de Judas Iscariotes por Matias em At 1. 15-26 e do acréscimo de Paulo. Nesse sentido, o apóstolo é alguém comissionado por Deus e investido de autoridade para operar milagres. Além disso, para ser apóstolo nesse sentido, o sujeito precisava ter visto e ter recebido o seu ensinamento do próprio Senhor Jesus. Então, nesse sentido nós podemos afirmar que não existem mais apóstolos, bem como os dons especiais que acompanharam esses homens. Dons esses que serviram a um proposito fundacional na igreja, haja vista, os apóstolos serem chamdos de “Alicerce” ou “fundamento” da igreja (Ef 2. 20).

Mas no NT existem outras pessoas que são chamados de apóstolos (Rm 16. 7)

7 Saudai Andrônico e Júnias, meus parentes e companheiros de prisão, os quais são notáveis entre os apóstolos e estavam em Cristo antes de mim.

Além dessa menção explicitamente traduzida em nossas bíblias, textos como (1 Co 9. 5; 2Co 8.23; Gl 1. 19; 1Ts 2. 6,7) se referem a outras pessoas sendo chamadas de apóstolos. Porém, nesse sentido todos nós somos apóstolos pois fomos enviados pelo Senhor para pregar pelo mundo a fora.

Contudo, se alguém disser que existe base bíblica para apóstolos hoje em dia ( e é o que tem acontecido) existe um texto nas escrituras que acaba com todas as nossas dúvidas. Abra a sua bíblia em (Ap 21. 14):

14 A muralha da cidade tinha doze fundamentos, e estavam sobre estes os doze nomes dos doze apóstolos do Cordeiro.

Só existiram 12 apóstolos. E isso não foi uma coincidência. Os Doze apóstolos representam a criação do novo israel de Deus (assim como as doze tribos representaram a criação do israel antigo).

IV-Em quarto e último lugar, Deus constrói a sua igreja em unidade e diversidade. Vejamos os V. 16-19

16 Eis os doze que designou: Simão, a quem acrescentou o nome de Pedro;

17 Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, aos quais deu o nome de Boanerges, que quer dizer: filhos do trovão;

18 André, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu, Tadeu, Simão, o Zelote,

19 e Judas Iscariotes, que foi quem o traiu.


Unidade não significa igualdade. Olhe para o grupo chamado por Jesus: pescadores, zelotes, um cobrador de impostos. As diferenças entre eles eram enormes, basta citar Pedro que era muito explosivo e Tomé que era o poço da dúvida, além de Judas Escariotes, dos irmãos “pinga fogo” Tiago e João chamados por Jesus de “filhos do trovão”, sem falar de Simão “o Zelote” que era uma espécie de terrorista antes da conversão.

A igreja é uma reunião diversa e desigual. Brancos, negros, ricos, pobres, altos, baixos etc.

O que não pode haver entre nós é pré-conceito e segregação. Certa vez, presenciei um casal (que era rico) trocar de lugar na igreja porque um casal pobre se sentou ao seu lado. É triste, mas há pessoas assim na igreja local.
Quando olho para esse grupo chamado por Jesus eu entendo melhor o que é a comunhão dos santos. 

Conclusão:

Recapitulando, Cristo é quem chama os seus discípulos, Ele os chama para fazer algo, Ele edifica a sua igreja com pessoas das mais diferentes. Você pode ser uma pessoa que Cristo está chamando, venha a Cristo!











3 comentários:

  1. Blog encantador,gostei do que vi e li,e desde já lhe dou os parabéns,
    também agradeço por partilhar o seu saber, se achar que merece a pena visitar o Peregrino E Servo,também se achar que mereço e se o desejar faça parte dos meus amigos virtuais faça-o de maneira a que possa encontrar o seu blog,irei seguir também o seu blog.
    Deixo os meus cumprimentos, e muita paz.
    Sou António Batalha.

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  2. Se são doze tronos, doze fundamentos para doze apóstolos, quem fica de fora, Paulo ou Matias?

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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