segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

O Conflito entre Paulo e Pedro GÁLATAS 2: 11 – 16

INTRODUÇÃO:

Existem causas e ideologias que não valem o esforço do debate, do confronto e da luta. Contudo, existem causas que é preciso lutar, confrontar, se esmerar e até se entregar por elas. A verdade do evangelho genuíno é uma dessas causas.

ELUCIDAÇÃO:

O texto que lemos é um dos mais tensos do Novo Testamento, observamos dois líderes apostólicos num conflito.

O referido problema acontece em Antioquia, a principal cidade da Síria, onde a missão entre os gentios começou e onde os discípulos foram chamados pela primeira vez de cristãos.

Vimos na semana passada que quando Paulo visitou Pedro em Jerusalém, o mesmo lhe estendeu a destra de comunhão, agora podemos observar que quando Pedro visita Paulo em Antioquia, Paulo se lhe opôs face a face.
Precisamos entender que Paulo e Pedro eram homens de Deus, que sabiam o que era ser perdoado através de Jesus Cristo e que tinham o Espírito Santo.

Sendo assim, vamos analisar esta situação. Para isso é necessário notar o que cada apóstolo fez, por que o fez e o Resultado. Vamos iniciar com Pedro.

1.      O Comportamento de Pedro (v. 11 – 13).

Vejamos o que Pedro fez. Quando chegou em Antioquia, fazia refeições com os gentios e desfrutava da fraternidade deles. Ele não se considerava impuro pelo contato com os cristãos gentios.

Até que um dia chegou em Antioquia um grupo de Jerusalém. Se diziam cristãos, mas de origem judaica e afirmavam que ali estavam enviados por Tiago (v. 12).

Na verdade eram fariseus que haviam crido em Jesus Cristo, mas não contavam com a autorização de Tiago: “Porquanto ouvimos que alguns que saíram dentre nós vos perturbaram com palavras, e transtornaram as vossas almas, dizendo que deveis circuncidar-vos e guardar a lei, não lhes tendo nós dado mandamento” (At. 15: 24).

Ensinavam que era impróprio que crentes judeus circuncidados participassem da mesma mesa com os crentes gentios, ainda que eles cressem em Jesus e fossem batizados.

Diante da presença dos judaizantes Pedro retrocedeu em sua comunhão com os irmãos gentios, afastando-se deles.

Porque Pedro agiu desta forma?  Por convicção teológica? Devemos agora supor que Pedro se esqueceu da visão que teve em Jope e da conversão da casa de Cornélio? Certamente não. Em Gálatas 2 não há indicação de que Pedro tenha mudado de opinião.

O problema é que Pedro teve medo dos cristãos judeus = “Quando, porém, eles chegaram, afastou-se e separou-se dos gentios, temendo os que eram da circuncisão” (Gálatas 2:12).

E até Barnabé foi influenciado pela hipocrisia deles = “E os outros judeus também dissimulavam com ele, de maneira que até Barnabé se deixou levar pela sua dissimulação” (Gálatas 2:13-14).

Pedro continuava a crer no evangelho, mas falhou na sua prática. Sua conduta não se ajustou com o evangelho, faltou coragem nas convicções.

2.      O Comportamento de Paulo (v. 14 – 16).

Qual foi o procedimento de Paulo diante do vacilo de Pedro? Quando, porém, Pedro veio a Antioquia, enfrentei-o face a face, por sua atitude condenável” (Gálatas 2:11).

Paulo reconhecia que Pedro era um apóstolo de Jesus Cristo, sabia que Pedro era uma das colunas da Igreja a quem Deus confiou o evangelho para os circuncisos.

Não obstante, isto não o impediu de se opor a Pedro quando necessário e o fez publicamente, pois Pedro se tornara repreensível e o seu afastamento dos crentes gentios havia provocado um escândalo público.

Porque Paulo agiu de forma tão dura? Paulo estava preocupado com um principio teológico que Pedro parecia esquecer: “Quando vi que não estavam andando de acordo com a verdade do evangelho” (Gálatas 2:14).

A verdade do evangelho que Paulo refere-se diz respeito a salvação pela graça e a justificação pela fé, não por intermédio de obras da Lei. Qualquer desvio deste evangelho e intolerável para Paulo.

Vejamos os versículos 15 e 16 = Deus aceita o pecador mediante a fé em Jesus Cristo e por causa da obra que Ele consumou na Cruz, este é o caminho da salvação para todos os pecadores (judeus e gentios).

Sendo assim, quem somos nós para negar comunhão aos crentes gentios apenas porque não são circuncidados? Se Deus os aceita como podemos rejeitá-los? Não devemos nos afastar daqueles a quem Deus reconciliou.

O aspecto interessante deste acontecimento, é que o mesmo contribuiu para a convocação do Concílio de Jerusalém, descrito em Atos 15. Inclusive Paulo e Barnabé participaram desta reunião, como resultado do referido Concílio não houve a exigência da circuncisão em relação aos crentes gentios.

CONCLUSÃO:

O que podemos aprender hoje desta desavença entre Paulo e Pedro em Antioquia?

1.      Devemos Andar Corretamente, Em Conformidade Com o Evangelho.

Não basta que creiamos no evangelho, nem mesmo que lutemos para preservá-lo, temos de aplica-lo na vida diária, foi o que Pedro deixou de fazer.
Hoje em dia diversos grupos “evangélicos” repetem o mesmo erro de Pedro. Recusam-se ter comunhão com outros crentes professos a não ser que estes tenham sido imerso por ocasião do batismo, ou aceitem o sábado como condição de salvação.

Tudo isso é uma séria afronta ao evangelho verdadeiro, a justificação é só pela fé, a salvação é pela graça de Deus.
2.      Devemos Nos Opor Aqueles Que Negam o Evangelho.

Damos graças a Deus pela ação enérgica de Paulo, que quando a verdade do evangelho estava em perigo, não se retraiu, foi contundente em sua defesa.
Ele nos ensina que quando os problemas existentes entre nós cristãos evangélicos for sem importância, devemos ser o mais flexível possível. Mas, quando a verdade do evangelho estiver em jogo devemos permanecer firmes como uma rocha.

Que Deus nos ajude a fazer Sua vontade!


8 comentários:

  1. Gostei muito deste estudo, achei bem claro para entendimento. Obrigada!

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  2. a Paz de Deus a todos os domésticos da fé!
    concordo plenamente com o amigo, me perdoe mas o amigo errou na parte em não ser batizado por imersão, se foi o próprio Senhor Jesus que falou: quem crer e for batizado será salvo,mas quem não crer já é condenado marcos 16:16, como podemos ver não basta a fé,tem que renascer uma nova criatura, o batismo é a aliança com Deus, de que o velho homem esta morto, e aquele que foi batizado em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, nova criatura é, isto é o inicio da prática do evangelho

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  3. Oi amigo claudio mas ele falou de recusar comunhão não falou contra o batismo por imersão e fez sim uma citação

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  4. Claudio e Barbara, o objetivo não foi falar contra o batismo, mas afirmar que a semelhança de Pedro e os judaizantes, alguns crentes modernos se recusam a ter comunhão com irmãos de outras denominações que não praticam a mesma forma de batismo que eles, pois existem irmãos de igrejas presbiterianas, congregacionais, episcopais, reformadas, etc. que batizam por aspersão.

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  5. Gostei da explicação.ficou bem esclarecido...obrigado irmãos

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  6. Gostei da explicação.ficou bem esclarecido...obrigado irmãos

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  7. Este comentário foi removido pelo autor.

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  8. Parabenizo o interesse do pastor e, como sempre, a Presbiteriana é uma denominação muito ponderada neste sentido a qual elogio. No entanto, não podemos nos esquecer que, o Evangelho de Paulo sempre será dele. Ele ilustra fatos que não aconteceram, diz que está escrito mas onde?, e em vários comentários deixa claro que são convicções pessoais. Paulo tinha 25 anos quando teve a sua visão mística com Jesus, porém sempre foi um homem Romano/Judeu/Cristão. Suas cartas não trazem uma definição, em momentos podem e outras não... Neste ponto a corrente do pensamento de Pedro é bem mais consistente e sem muitas variações. Pedro não se preocupou em ganhar a discussão com Paulo em um dos primeiros concílios realizado pela igreja cristã (sem ser romana), justamente para não criar divisões entre as igrejas. Mas Paulo, em seu temperamento totalmente diferente, escreve por várias vezes a sua aparente vitória se galardoando dos seus feitos e expondo Pedro e os judeus que com ele estavam. No entanto, Paulo se esquece de seu passado quando faz essa crítica contra Pedro. Pois no ano 37, ao retornar para Damasco, ficou 15 dias em Jerusalém aprendendo com Pedro e teve que fugir quando o Sinédrio soube de sua presença na cidade. Paulo permaneceu por volta de 07 a 08 anos afastado, em Tarso (sua terra natal), não se tem registro do que lhe aconteceu neste período. CONCLUINDO: A Igreja deve muito a Paulo,é verdade. Mas poucos pensam ou analisam as inúmeras contradições do ''Cristianismo Paulino'' que são facilmente aceitas pelas igrejas. Obrigado.

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