domingo, 29 de setembro de 2013

O nosso Maior Problema - Mc 2. 1-12

Introdução:

Todos nós já nos deparamos com situações nas quais nos sentimos totalmente impotentes. Seja diante de uma doença de alguém, ou mesmo diante de algum problema que alguém nos conte e que não possuímos a solução. Na história que lemos encontramos uma situação semelhante.

Contexto histórico:

Jesus estava regressando do seu ministério na Galileia (Mc 1. 38,39), e estava de volta a sua própria cidade, Cafarnaum (Mt 9.1). Cidade essa que servia de base para o seu ministério na Galileia.  A partir do texto de Mc 2. 1-12 quero falar sobre:

I-A NOSSA ÓTICA DO PROBLEMA ( V. 1-4).

(V. 1) Jesus estava em (uma) casa em Cafarnaum e logo as multidões afluíram. O texto não diz que as multidões forma em busca de ouvir a Palavra ou de adorar o Cristo). Contudo, nós podemos inferir pela própria história do paralítico que a maioria das pessoas estava ali para receber algum benefício temporal.

(V. 2)”... anunciava-lhes a palavra”. A prioridade de Cristo era a pregação,  o anúncio das boas novas, a chegada do Reino de Deus.

Aplicação: que diferença do foco das igrejas modernas! Ouvi outro dia um sujeito que pregava e dizia: “se você veio aqui em busca e uma benção espiritual, Jesus vai te dar, se você veio em busca de uma benção material ele também vai te dar”.

(V. 3,4) vemos o esforço daqueles que se sentiam impotentes diante da enfermidade do paralítico. O fato daqueles homens terem empreendido tamanho esforço (pois chegaram a cavar o telhado da casa), demonstra que na ótica deles o maior problema daquele homem era a sua paralisia.

OBS. Antes de passarmos para o próximo ponto. O foco principal desse texto não são os amigos do paralítico, nem tão pouco a fé deles. Digo isso, porque já ouvi muitas pregações com esse enfoque.

II-O NOSSO PROBLEMA NA ÓTICA DE DEUS (V. 5-9).

(V. 5) “...Filho, os teus pecados estão perdoados”.

Fico imaginando o olhar de espanto dos amigos do paralítico, bem como a decepção do próprio paralítico. Depois de todo o trabalho que tiveram para descer, depois de ouvir a fama de Jesus como aquele que curava todos os que iam até ele...

Como alguém já disse: “O maior problema de quem está doente é achar que a doença é o seu maior problema”. Jesus identificou qual era a maior necessidade daquele homem.

Aplicação: o maior problema da humanidade é o pecado. Os demais problemas são sempre consequência dessa condição de pecado em que nascemos. Vivemos num mundo caído, e na maioria das vezes buscamos soluções paliativas para um problema que somente Deus pode solucionar. A psicologia moderna aconselha o homem a se livrar da culpa, quando na verdade você deve fazer o contrário. De acordo com as escrituras o homem só é liberto da escravidão do pecado quando se considera culpado e indígno do perdão de Deus.

·         Nesse texto também aprendemos a correta relação entre pecado e enfermidade:

No mundo antigo (e, ainda hoje!) e, principalmente entre os judeus, era muito comum associar pecado e enfermidade. Quando alguém está com alguma doença incurável significa que está sendo alvo do juízo específico de Deus. Contudo,  Jesus refita essa tese em (Jo 9. 2; Lc 13. 4). Até porque, se isso fosse verdade, quando Jesus absolveu o paralítico dos seus pecados ele teria sido curado.

(V. 6,7) Temos a reação dos escribas: “Mas alguns dos escribas estavam assentados ali e arrazoavam em seu coração:  Por que fala ele deste modo? Isto é blasfêmia! Quem pode perdoar pecados, senão um, que é Deus?”.

A pergunta e a resposta deles está correta. Somente Deus pode perdoar pecados. Contudo, eles estavam cegos para o fato de que estavam diante do Deus encarnado.

(V. 8, 9) A onisciência de Jesus é demonstrada. “...Por que arrazoais sobre estas coisas em vosso coração?”. Bem como a sua onipotência, quando ele propõe desafio seguinte: “Qual é mais fácil? Dizer ao paralítico: Estão perdoados os teus pecados, ou dizer: Levanta-te, toma o teu leito e anda?”. É uma pergunta retórica!

Aplicação: Como é que Jesus comprovaria que os pecados daquele homem estavam perdoados?

III-A SOLUÇÃO INTEGRAL DE DEUS (V. 10-12).

(V. 10) “...para que saibais que o Filho do Homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados...” Os milagres eram sinais que apontavam para quem ele era.

Essa cura não era necessária para a salvação do paralítico. Até porque, é melhor continuar paralítico perdoado, do que alguém curado, mas irregenerado. Essa cura (assim como todas que Jesus efetuou) teve um propósito na história da salvação.

“Filho do Homem”. Essa expressão que aparecerá outras 13 vezes no evangelho de Marcos, aponta para o cumprimento da profecia de Daniel (Dn 7. 13,14):

Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha com as nuvens do céu um como o Filho do Homem, e dirigiu-se ao Ancião de Dias, e o fizeram chegar até ele. Foi-lhe dado domínio, e glória, e o reino, para que os povos, nações e homens de todas as línguas o servissem; o seu domínio é domínio eterno, que não passará, e o seu reino jamais será destruído.

Jesus está dizendo que é o filho do homem prometido em Daniel 7. Ele já possui todo domínio. Ele reina, e esse mundo está sendo posto sob os seus pés através do avanço do reino de Deus, a medida que anunciamos o Evangelho.

(V. 11) “Eu te mando: Levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa”. Aquele homem não possuia condições por si mesmo de se levantar. Ele só fez isso por conta da ordem de Cristo.

Aplicação: Isso nos ensina que aquele que ordena “creia em mim” é o mesmo que nos dá a fé (Ef 2. 8), aquele que diz “arrependei-vos” é o mesmo que nos dá o arrependimento (At 11.18).

(V. 12) “...Então, ele se levantou e, no mesmo instante...” Essa é uma das características básicas das curas operadas por Jesus. (diferente do que vemos hoje).

“...glória a Deus...” Como tudo que Jesus fazia, esse sinal redundou na glória de Deus.

Conclusão:

Qual é o seu maior problema?

Você se considera um pecador?

Existe solução para o seu pecado no sacrifício de Cristo.













terça-feira, 20 de agosto de 2013

Cristo Recebe Pecadores Impuros- Mc 1. 40-45

Introdução:

Para fins didáticos, pularemos alguns versos desse livro, porém isso não significa que não trataremos dos assuntos desses versos, mas faremos isso, porque trataremos desses temas na passagem que estudaremos hoje.

No último sermão, nós falamos sobre a autoridade de Jesus sobre os demônios e as enfermidades. O texto da nossa última exposição termina no v. 28 do cap. 1 de Marcos dizendo: “correu a sua fama por toda a província da Galiléia”.

Jesus agora era um homem famoso... todos nós sabemos como é difícil chegar perto de alguém famoso. Quem aqui já pediu um autógrafo? Muitas vezes é uma situação embaraçosa, lembro-me de uma vez quando pedi um autógrafo a um conferencista famoso, o sujeito mal me olhou, e mais, ele só estava autografando se alguém comprasse um livro dele. Tive que mentir dizendo que já possuía todos os livros do sujeito, então ele acabou autografando a minha bíblia... acredito que todos nós já enfrentamos alguma situação embaraçosa ao nos aproximarmos de alguém famoso. Isso sempre acontece porque nós nutrimos a ideia de que essas pessoas são muito superiores a nós. Nos sentimos como imundos diante deles.

Pois bem, no texto que lemos encontramos um leproso nessas mesmas circunstancias, pois ele estava diante da celebridade de Nazaré. A fama de Jesus tinha chegado até ele, mas o leproso queria muito mais do que um autógrafo, ele queria a solução para o seu problema de impureza. Essa noite falaremos a partir desse texto sobre o tema:

Tema: Cristo Recebe Pecadores Impuros

Em primeiro lugar nós devemos reconhecer que:

1-VIVEMOS NUM MUNDO DE AFLIÇÕES (V. 40).

Aproximou-se dele um leproso...

O sofrimento é patente aos nossos olhos, nós não negamos isso. Existe muito sofrimento nesse mundo. Desde doenças incuráveis, problemas familiares, fomes e morte. Contudo, todos nós desejamos alivio imediato e soluções rápidas. Cirurgias que nos deixem magros da noite para o dia, curas instantâneas. Por isso, existem peregrinações a tantos santuários romanos, e também santuários evangélicos.

Nós temos aqui um homem que buscava também solução para um problema terrível que afligia o mundo antigo, estou falando da lepra. Quando a bíblia se refere a lepra, ela não se refere especificamente a doença que nós conhecemos como hanseníase, mas a uma série de doenças de pele. Em Lv 13, a lei de Deus tinha diversas recomendações para quem tinha essa doença:

Também as vestes do leproso, em quem está a praga, serão rasgadas, e a sua cabeça será descoberta, e cobrirá o lábio superior, e clamará: Imundo, imundo. (Lv 13. 45).

Sua habitação deveria ser fora da cidade:

Todos os dias em que a praga houver nele, será imundo; imundo está, habitará só; a sua habitação será fora do arraial. (Lv 13. 46).

Ele era cerimonialmente impuro, ele não podia participar da vida da igreja, dos sacrifícios, da leitura da lei.

Aplicação: certamente você também tem alguma aflição, se não é uma aflição física, mas com certeza, deve ter alguma, todos nós temos. Você sofre da mais séria aflição que existe, e que é a fonte de todas as aflições. Estou falando do pecado. Desde o seu nascimento você é um pecador (Sl 51. 5). Você não é pecador porque peca você peca porque é por natureza um pecador. Tudo que fazemos está manchado pelo pecado, todos nós somos cerimonialmente impuros.

O leproso nos ensina o que todo pecador imundo precisa fazer, ele precisa ir a Cristo. Não importa o problema ou aflição. Na verdade, só existem dois problemas na vida da humanidade. O primeiro é o pecado, o segundo é consequência dele. Jesus veio especificamente para tratar do nosso problema principal (v. 38). E ele lhes disse: Vamos às aldeias vizinhas, para que eu ali também pregue; porque para isso vim.

A missão principal de Jesus não foi ser um milagreiro, ele veio para pregar as boas novas do reino. No caminho, ele também curava, expulsava demonios, aliviava as dores, mas a sua missão principal era pregar.
O leproso também nos ensina algo sobre oração.

(V. 40) Aproximou-se dele um leproso rogando-lhe, de joelhos...

 Ele se aproxima de Cristo com humildade. Precisamos saber o que significa essa palavra. Muitas pessoas acham que ser humilde é precisar de um intermediário para se aproximar de Deus. Os evangélicos também acham que o pastor é uma espécie de intermediário. Cristo recebe pecadores impuros. O leproso tem acesso direto a Cristo.

Ele também vem com submissão a Cristo:

 ... Se quiseres, podes purificar-me.

2-COMO CRISTO RECEBE AOS QUE VEM A ELE (V. 41).

Jesus, profundamente compadecido, estendeu a mão, tocou-o, e disse-lhe: Quero, fica limpo.
 
Não foi uma cura limpinha, Jesus tocou num homem imundo. Somente Marcos nos diz que Jesus estendeu a mão para tocar nesse homem. Jesus podia perfeitamente curá-lo sem o auxílio do toque (ele fez isso várias vezes), mas o toque aqui nos ensina que Jesus se identifica com a dor e o sofrimento dos pecadores. Esse homem com certeza, não era tocado por ninguém há muito tempo. A nossa tradução diz que “Jesus, profundamente compadecido”, o texto original nos diz que as entranhas de Jesus foram movidas.

O V. 42 nos diz: No mesmo instante, lhe desapareceu a lepra, e ficou limpo.
A cura foi instantânea. Assim como aconteceu com a sogra de Pedro no (V. 31) que pulamos na leitura. O comentarista William Hendriksen nos diz: “que os curandeiros de hoje imitem isso!”. Por um tempo ele deu esse poder aos apóstolos, vemos isso em Atos, mas quando a igreja foi estabelecida esses sinais não eram mais necessários. Com isso, não estamos a dizer que Cristo não possa curar hoje em dia, ele pode curar, se essa for a sua vontade.

Jesus salvou, curou e em seguida deu instruções sobre como aquele homem deveria proceder. Esse é o padrão de Deus. Jesus não veio para abolir a lei, ele veio cumprir a lei. Observe os V. 43 e 44:

Fazendo-lhe, então, veemente advertência, logo o despediu. E lhe disse: Olha, não digas nada a ninguém; mas vai, mostra-te ao sacerdote, e oferece pela tua purificação o que Moisés determinou, para servir de testemunho ao povo.

Se o leproso tivesse ido até o sacerdote, eles teriam uma prova incontestável de que Jesus era o messias, mas ele não foi. A primeira coisa que o leproso faz, após ser curado por Cristo é desobedecer a Cristo. Observe o verso 45:

Mas, tendo ele saído, entrou a propalar muitas coisas, e a divulgar a notícia, a ponto de não mais poder Jesus entrar publicamente em qualquer cidade, mas permanecia fora em lugares ermos; e de toda parte vinham ter com ele.

Aplicação: muitas vezes achamos que depois de termos sido libertos podemos viver de qualquer maneira. Alguém já comparou a nossa libertação com a libertação de um homem que está preso há 30 anos. der repente chega o governo e diz: você está livre. Esse homem não diz, ôpa quer dizer que eu posso matar de novo? Não! ele sabe que está livre para viver conforme a lei. Assim também acontece conosco. Fomos libertos para viver conforme a lei de Deus.

A desobediência do leproso curado pode parecer compreensível aos nossos olhos, afinal ele foi curado! Mas não foi, ele desobedeceu a Cristo, e isso teve consequências, pois Jesus não entrou em muitas cidades por conta disso.

Aplicação: muitas vezes, basta recebermos algum benefício de Cristo, para logo em seguida, o desobedecermos. As vezes, em coisas que parecem compreensíveis também.

Conclusão:

Até agora nós vimos que vivemos num mundo de aflições, vimos que Cristo recebe os imundos que a ele vem, mas a coisa mais importante que devemos guardar desse texto é que Cristo levou as nossas dores. (note eu não disse que ele curou todas as enfermidades do mundo), estou falando do pecado do seu povo.

O leproso que era purificado tinha que oferecer um sacrifício (Lv 14). Ele tinha que pegar duas aves limpas, matar uma, fazer escorrer o seu sangue numa cumbuca de barro, depois misturar o sangue do pássaro morto com água corrente. O pássaro vivo deveria ser mergulhado nessa mistura, logo em seguida, deveria ser solto. Em seguida a mistura era aspergida sobre o leproso para que ele fosse declarado limpo.

Jesus mandou o leproso fazer isso no (V. 44) vai, mostra-te ao sacerdote, e oferece pela tua purificação o que Moisés determinou, para servir de testemunho ao povo.

Esse ritual apontava para o próprio sacrifício de Cristo. A vida de um pássaro estava ligada a morte do outro. A pureza daquele que estava impuro estava ligada a morte de uma vítima inocente. Foi isso que Cristo fez por nós. (Is 53. 5) Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.

Uma tradução latina, juntamente com a septuaginta vão dizer: ele se fez leproso por nós, ou ele foi ferido de lepra por causa dos nossos pecados.

Jesus trocou de lugar com o leproso: no começo da história é o leproso que não pode entrar na cidade. No final da história, é Jesus que não pode entrar mais na cidade por conta da desobediência do leproso.

Ele se fez “leproso” por nós.

Oração.


 





domingo, 21 de julho de 2013

Jesus a Maior Autoridade do Reino de Deus-Texto: Mc 1. 21-28

Introdução:

Todos nós temos algum problema com autoridade, especificamente, com submissão à autoridade. A origem desse problema está na queda dos nossos primeiros pais. O pecado de Adão trouxe para a raça humana essa disposição de insubmissão inerente a todo homem.

Se formos honestos, nos lembraremos de alguma vez em que estivemos envolvidos em algum problema dessa natureza. Em casa, não nos submetendo à autoridade do nosso pai ou da nossa mãe, na escola, desobedecendo nossos professores, no trabalho desafiando o nosso chefe etc.

O crescimento dos desigrejados no Brasil é um reflexo dessa busca por independência e insubmissão.

Contudo, apesar dessa tendencia natural do ser humano caído, ninguém poderá viver sem autoridade. O texto que acabamos de ler é um texto que nos fala sobre autoridade. Ele nos fala sobre a maior autoridade que existe, o Senhor Jesus.

I-A AUTORIDADE DE JESUS (v. 21,22).

O texto nos mostra que Jesus foi até Cafarnaum (cidade marítima da galileia  que por mais de uma ocasião recebeu a visita de Jesus. Mas, o fato interessante é que Jesus vai até uma sinagoga da cidade num dia de sábado, e quando chega ali lhe é facultada a oportunidade de ensinar. Mesmo sem ter uma formação rabínica formal, a autoridade de Jesus é reconhecida por aquelas pessoas. (Jesus não precisou ganhar dinheiro ou ter um status para poder ser ouvido, como acontece em nossa cidade).

A autoridade de Jesus é tão patente que as pessoas que o estavam ouvindo ficaram maravilhadas (v.22). o fator principal que causou espanto naquelas pessoas estava no conteúdo diferente da mensagem de Jesus para a mensagem dos escribas e fariseus.

Os falsos mestres ensinavam aquilo que não viviam, e frequentemente adicionavam ao seu ensino tradições antibíblicas e acréscimos não autorizados pelo Senhor. Por outro lado, o ensino de Jesus tinha autoridade pelo seu frequente apelo as escrituras e por ser ele a própria palavra encarnada de Deus.

Um exemplo claro sobre a deficiência do ensino dos escribas e fariseus está no seu ensino sobre a vinda do messias. Apesar de Jesus estar presente em todo o AT eles nunca ensinavam nada claro sobre a vinda do salvador. Por outro lado Jesus mostrou claramente que o conteúdo de todo o AT apontava para a sua pessoa.

Aplicação: isso nos ensina um princípio muito importante. Quando a palavra de Deus for pregada, ela deve ser pregada como foi pregada por Jesus. Isso pode chocar algumas pessoas, pois alguém dirá: “mas nós não somos Jesus”, isso é verdade, contudo, devemos aplicar os mesmos métodos de Jesus, devemos ser claros, e devemos comparar escritura com escritura para que não digamos aquilo que é fruto da nossa mente ou imaginação. Quando a palavra de Deus é verdadeiramente pregada ela produz vida.

II-A AUTORIDADE DE JESUS PRODUZ VIDA E LIBERTAÇÃO (v.23).

Derrepente alguém se levanta no meio da sinagoga (um homem possesso) para desafiar a autoridade de Jesus. Devemos nos lembrar que a vinda de Jesus ao mundo marca o início da concretização da consumação do plano de Deus para essa era, ou seja, Jesus inaugura o fim dos tempos. Por essa razão, vemos tantas manifestações demoníacas nos dias de Jesus.

Os crentes de hoje perguntam por que aconteceram tantos milagres nos dias de Jesus e hoje não acontecem mais. A resposta é que a vinda de Jesus inaugurou a chegada do reino de Deus na história, e todos esses milagres de Jesus são sinais que evidenciavam a chegada desse reino.

A prova disso é que os próprios demônios reconhecem isso (v.24). Outro fato interessante nesse versículo é que os demônios não dizem que Jesus é um mestre da moral ou um psicólogo da alma; antes, eles reconhecem a autoridade de Jesus eles dizem: “tu és o Santo de Deus!”.

Aplicação: satanás e os demônios (que já estão condenados) reconhecem a autoridade e divindade de Cristo, mas muitos pecadores ainda relutam em acreditar! O puritano Thomas Brooks disse que “aqueles que não creem em Deus são mais vis do que os demônios”.

Observe que o homem possesso se utiliza do pronome “nós”  no v. 24 “que temos NÓS contigo?”. Alguns intérpretes afirmam que esse demônio falava em nome de todos os demônios  Toda aquela comunidade de homens irregenerados estava sob o poder de satanás. Muitos que estavam ali não ouviram a palavra de Jesus, não se arrependeram:

Mt 11.23 “E tu, Cafarnaum, que te ergues até aos céus, serás abatida até aos infernos; porque, se em Sodoma tivessem sido feitos os prodígios que em ti se operaram, teria ela permanecido até hoje”.

Muitas pessoas podem ficar maravilhadas com o ensino de Jesus, mas não querem reconhecer a autoridade de Jesus sobre a sua vida.

III-A REJEIÇÃO DESSA AUTORIDADE PRODUZ SEPARAÇÃO DE DEUS E PERDIÇÃO (25,26).

O (v. 25) nos mostra que Jesus não faz uma entrevista com o demonio, apesar dele só ter dito a verdade.  O (v.26) nos mostra não somente o destino dos demonios, mas o destino de todos os inimigos de Deus. O Sl 2. 9  nos fala do destino dos que rejeitam a autoridade do messias: “Tu os esmigalharás com uma vara de ferro; tu os despedaçarás como a um vaso de oleiro”.

Aplicação: mas ainda resta esperança, a boa notícia é que ele veio transformar alguns inimigos em súditos do seu reino. Marcos não registra o ponto de vista do homem que foi liberto por Jesus, ele nos fala da reação daqueles homens (v. 27,28), ele nos fala sobre a repercussão dessa libertação (v. 28), Mas não devemos nos esquecer que a libertação daquele homem aponta para o fato de que Jesus é o Único que pode libertar o pecador da sua escravidão.













sábado, 20 de julho de 2013

O Evangelho de Deus envolve Fazer Discípulos que Imitem a Cristo-Texto: Mc 1. 14-20

Introdução:

Todos nós somos imitadores natos. A maioria das coisas que aprendemos na infância foi por imitação. Todos nós já imitamos alguém, e geralmente temos a tendência de imitar quem consideramos melhor ou imitar aquilo que nos impressiona.

Esse texto que lemos nos fala de imitação. Esse texto nos fala de imitar aquilo de mais impressionante que podemos encontrar - Nosso Senhor Jesus.

Tema: O Evangelho de Deus envolve Fazer Discípulos que Imitem a Cristo

Elucidação: no último sermão que pregamos, falamos sobre a chegada das boas novas do evangelho do reino, vimos que esse evangelho teve a sua origem no AT, e que o Cristo é o segundo Adão que foi provado no deserto sob circunstancias muito mais adversas que o primeiro, contudo, venceu a tentação.

Hoje veremos que esse evangelho antes de ter a sua origem no AT, tem origem no próprio Deus, veremos que ele chegou até nós no tempo de Deus, veremos que é Jesus quem chama eficazmente os seus discípulos, e finalmente veremos o que significa ser um discípulo (ou imitador de Cristo).

I-O EVANGELHO TEM A SUA ORIGEM EM DEUS E NÃO NO HOMEM (V. 14).

(v.14) E, depois de João ter sido preso, foi Jesus para a Galileia  pregando O EVANGELHO DE DEUS. (enfase acrescentada).

O evangelho não é acerca daquilo que o homem faz, mas daquilo que Deus faz. Isso é muito importante, pois se não entendermos essa verdade, toda a nossa compreensão do evangelho estará comprometida. Atualmente, estamos presenciando a ascensão de um evangelho totalmente humanista e antropocêntrico.

O (v. 14) também nos mostra que sendo esse evangelho de procedência divina ele nem sempre vem da maneira que nós esperamos. Como vimos no último sermão, com a chegada do evangelho foi necessário Jesus se submeter ao batismo e posteriormente, ser tentado no deserto. Agora, vemos a prisão de João Batista. Isso nos ensina que mesmo as coisas ruins estão nos planos de Deus.

II-O EVANGELHO NÃO VEIO ATÉ NÓS DE IMPROVISO (v. 15).

(v. 15) Dizendo: O TEMPO ESTÁ CUMPRIDO, e o reino de Deus está próximo. Arrependei-vos, e crede no evangelho.

As vezes somos tentados a acreditar que Deus agiu de improviso para nos salvar. Cristo não veio ao mundo de improviso, ele é o “cordeiro que foi morto antes da fundação do mundo” (Ap 13. 8).

O mundo foi preparado para a vinda do Cristo (havia uma língua universal – o grego. Os romanos construíram estradas e estabeleceram a pax romana que facilitariam a expansão do evangelho). Como disse Paulo, Jesus nasceu na plenitude dos tempos (Gl 4. 4).

Esse verso 15 também nos dá conta do conteúdo da mensagem desse evangelho “Arrependei-vos!”. O conteúdo da mensagem do evangelho não é, pasmem, “Jesus te ama”, não é “Jesus vai resolver os seus problemas”, não é “Jesus vai te curar”, não! É Arrependei-vos!

Arrependimento não é meramente tristeza pelas consequências dos seus atos (algo que posteriormente passará), mas conforme diz o nosso breve catecismo na pergunta 87:

“ Arrependimento para a vida é uma graça salvadora pela qual o pecador, tendo um verdadeiro sentimento do seu pecado e percepção da misericórdia de Deus em Cristo, se enche de tristeza e de horror pelos seus pecados, abandona-os e volta para Deus, inteiramente resolvido a prestar-lhe nova obediência”.

III- É JESUS QUEM CHAMA EFICAZMENTE OS SEUS DISCÍPULOS (v. 16-20).

(v. 16) Caminhando junto do mar da Galiléia, viu os irmãos Simão e André que lançavam a rede ao mar, porque eram pescadores.

(v. 17) Disse-lhes Jesus: Vinde após mim, e eu  vos farei pescadores de homens.

(v. 18) Então, eles deixaram imediatamente as redes e o seguiram.

(v. 19) Pouco mais adiante, viu Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, que estavam no barco consertando as redes, (v. 20) E logo os chamou. Deixando eles no barco a seu pai Zebedeu com os empregados, seguíram após Jesus.

Na cultura judaica, assim como na Grécia antiga, eram os pupilos que buscavam um mestre que pudesse ensiná-los. Contudo, a história da salvação é uma história de Deus chamando o seu povo. Isso é muito claro nas escrituras (só a igreja moderna que acha o contrário). Esses homens, assim como nós ouviram a chamada interna do evangelho, ou seja, revelaram que eram de Deus. Jesus disse: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu  as conheço, e elas me seguem” (Jo 10. 27).

Esses homens não ouviram uma pregação elaborada com argumentos persuasivos ou convincentes, eles ouviram o chamado eficaz. Observe que esse chamado não se dirigiu a todos que estavam ali  mas somente aqueles que Cristo quis (v. 20) o pai de Tiago e de João, Zebedeu, juntamente com os seus empregados não seguiram a Cristo.

IV-UM CHAMADO PARA SERMOS IMITADORES DE CRISTO

A raiz da palavra discípulo significa “seguidor”. Como diz um professor meu do seminário: “alguém só deverá ser considerado discípulo de alguém, se estiver disposto a levar adiante a causa do seu mestre”.

Fomos criados à imagem de Deus, e não fosse o pecado, imitaríamos naturalmente a Deus. Ser discípulo é ser um imitador de Cristo.

A semelhança do discípulo com o seu mestre já começa no chamado. Primeiro, ele precisa deixar alguma coisa, ou até mesmo alguém para seguir ao seu mestre. Segundo, ele deverá fazer o que o seu mestre fez. O chamado dos discípulos é para ser “pescadores de homens”. Somos chamados para anunciar “as virtudes daquele que nos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1 Pe 2. 9).

Estamos fazendo isso?

Estamos imitando a Cristo?

Por último, esse é um chamado radical. Esses quatro discípulos que aparecem no texto foram martirizados. Isso nos ensina que a nossa imitação de Cristo deve, se isso for exigido de nós, ser levada até as últimas consequências  Que Deus nos ajude!